CARLOS GUEDES, OS COMOANHEIROS E A RESISTÊNCIA EM MOÇAMBIQUE - Os Factos
O Autor, Rodrigo Carlos Guedes, um jovem com toda a esperança do mundo à época de 1974, viveu todo o processo de descolonização e independência de Moçambique, directamente e com intensidade, à semelhança de muitos milhares de jovens das diversas etnias e origens.
A guerra inicial em Moçambique decorreu de 1964 a 1974, ano em que em Lisboa, o Movimento dos Capitães, institucionalizado em MFA (Movimento das Forças Armadas), ao derrubar o regime do Estado Novo, deu início ao processo de descolonização, nas suas então províncias ultramarinas.
E foi assim que em Moçambique, as suas populações das diversas origens (autóctones, europeus, mestiços e asiáticos) julgaram vislumbrar uma esperança de se iniciar a construção de um novo país, multirracial, em grande desenvolvimento e modernização, democrático e livre.
Pura ilusão ! A 7 de Setembro de 1974, o MFA e o governo de Lisboa, entregaram o poder em exclusivo à FRELIMO, através do ‘Acordo de Lusaka’, declarando aqueles, ao ‘único e legítimo representante do povo moçambicano’… !
E a partir deste acontecimento - que ignorou o facto despudoradamente de auscultar todos os moçambicanos das diversas etnias e origens -, o MFA Moçambique passou a colaborar com a FRELIMO na identificação, repressão, detenção e perseguição dos diversos movimentos políticos existentes (COREMO, GUMO, PCN, FUMO e outros). Em consequência, centenas de opositores foram detidos - alguns até pelas Forças Militares Portuguesas -, encarcerados inicialmente em Machingwea na Tanzânia, para que a 25 de Junho de 1975, na independência, a ditadura marxista-leninista da FRELIMO fosse concretizada sem resistências e com todos os requintes característicos dos regimes tirânicos.
E foi assim que o jovem, nascido a 26 de Março de 1951, em Vila Pery (Actual Chimoio), de nome Rodrigo Carlos Guedes, se insurgiu contra a tirania da FRELIMO, cujo sucesso só foi possível com a total cumplicidade do MFA Moçambique e o governo de Lisboa - e em conjunto com inúmeros moçambicanos negros, uns vítimas da prepotência dos ‘libertadores’ outros desiludidos - , se juntaram e formaram a RNM (Resistência Nacional Moçambicana), sendo ele um dos fundadores e dos primeiros instrutores militares e o Rui Silva (nascido em Manica), André Matadi Matsangaíssa e Afonso Dhlakama a que se foram juntando outros jovens e até antigos guerrilheiros oriundos da FRELIMO.
Durante anos, os bodes expiatórios e propagandistas frelimistas e ‘investigadores’ estrangeiros, tentaram denegrir e manipular a sua presença na fundação da RENAMO, em face da sua cor da pele ! Foi em vão.
Porque Carlos Guedes é um moçambicano nascido no interior de Moçambique - Vila Pery, Chimoio.
E a História, por mais que ainda restem escribas a repetirem atoardas sobre a origem dos fundadores da resistência e outros dos seus membros, saberá repor a veracidade da origem de Carlos Guedes, Rui Silva, Evo Fernandes, André Matadi, Dhlakama, Luís Serapião, Vicente Ululu, João Gonçalves, José de Castro, José Gouveia, Joaquim Vaz e tantos outros.
Honra aos companheiros de Carlos Guedes caídos em combate em Moçambique.
Casimiro Serra
Tomar, 23 de Agosto de 2026

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