sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Angola - Descolonização & História - 'OS (Meus) DIAS DA INDEPENDÊNCIA', de Onofre dos Santos - Lisboa 2019 - Raro;




















Angola & História - A Independência da FNLA e UNITA no Huambo, declarada a 11 de Novembro de 1975, em revelações inéditas e únicas


'OS (MEUS) DIAS DA INDEPENDÊNCIA'
O diário de quem viveu a independência e a guerra de Angola como ministro da FNLA 
De Onofre dos Santos
Edição Guerra & Paz 
Lisboa 2019 


Livro com 192 páginas, muito ilustrado com fotografias e como novo. Excelente. 
De muito difícil localização.
Muito Raro.


Onofre dos Santos foi membro destacado da FNLA, um dos raros brancos desta organização.

O autor, foi um dos ministros do governo de coligação entre a FNLA e a UNITA, constituído no Huambo em 11 de Novembro de 1975, data da independência e designado por governo da República Democrática de Angola.

Onofre dos Santos relata esse período e os seus múltiplos episódios, nomeadamente da convivência nem sempre pacifica e leal entre FNLA e UNITA por um lado e ELNA e FALA, os respectivos exércitos.

Destaque para as excepcionais e raras fotografias da rectaguarda da linha de combate que separava FNLA/UNITA e MPLA, quando já não havia jornalistas internacionais e por isso são raras e valiosas.

Um livro único sobre este período histórico de Angola e a que não se deu o devido valor. 
Imprescindível na compreensão da história da independência do país. 


Da contracapa:
“UMA VISÃO ÚNICA DA INDEPENDÊNCIA DE 
ANGOLA. ESTA NÃO É A VISÃO DE LUANDA, 
É A VISÃO DO ‘OUTRO LADO’.

Onofre dos Santos foi um actor de primeira linha da Independência de Angola, do lado de Holden Roberto e Jonas Savimbi. Ministro da Justiça do Governo que a FNLA e a UNITA formaram, roçou ombros com figuras decisivas, desenhou esperanças no atribulado governo a que pertenceu e viveu ameaças e situações extremas, à sombra da morte mesmo à porta. 
Porque a história só se escreve ao conhecermos a verdade daqueles que a constroem. Onofre dos Santos revela neste diário os acontecimentos que se sucederam àquela 11 de Novembro de 1975, retratando a realidade em que mergulhou e se afogou o ideal de uma geração. Esta é a história da Independência de Angola contada do ‘outro lado’, longe de Luanda, ao lado da FNLA e da UNITA, de sul-africanos e portugueses que se bateram contra o MPLA, as tropas cubanas e os conselheiros soviéticos.“ 


Da badana: 
"À meia-noite do dia 10 para 11 de Novembro, em Luanda, no Ambriz e no Huambo, os líderes dos três movimentos de libertação procederam a uma pressurosa é algo embaraçosa proclamação da Independência de um país partido em três. Portugal, que fora a contraparte do ‘Acordo do Alvor’ no princípio do ano, esteve ausente das três cerimónias, em cada uma das quais, e para seguir o figurino simbólico, se arriou a bandeira das quinas à sombra da qual Angola viverá mais de quatrocentos anos. 
Precisamente à meia-noite, o Miguel Quina, meu único companheiro de viagem a bordo de um velho ‘friendship’, tocou-me na cabeça, acordando-me do sono leve em que procurava refugiar-me do frio do interior do avião, para me dizer que acabáramos do sobrevoar Matadi e estávamos já em território angolano. ‘Parabéns’, acrescentou, ‘estamos na sua terra independente’." 


O AUTOR: 
"ONOFRE DOS SANTOS nasceu em Luanda, Angola, a 16 de Dezembro de 1941, aí fez os seus estudos primários e secundários, enquanto o curso de Direito tirou-o na Universidade de Coimbra, e viveu o período de transição de um país colonial para o país independente que hoje é. 

Regressado a Luanda, exerceu advocacia até 1975. Após os Acordos de Alvor, foi consultor jurídico do primeiro-ministro da FNLA no Governo de Transição e membro da Comissão de Redacção da Lei Fundamental e da Lei Eleitoral. 

À data da independência encontra-se no Ambriz, onde participou nos acordos entre a FNLA e a UNITA que decorreram na altura em que estes dois movimentos de libertação foram rechaçado sede Luanda. No Huambo foi o Ministro da Justiça do Governo da efémera 'República Deus de Angola'. 

A violenta eclosão do conflito entre os três movimentos de libertação de Angola nos dias que antecederam a proclamação da independência do país levou-o a participar numa experiência única que constitui o relato deste livro, ‘OS MEUS DIAS DA INDEPENDÊNCIA’. Depois dos Acordos de Paz de 1991, regressou a Angola, e participou na reunião multipartidária convocada pelo Presidente José Eduardo dos Santos, em Janeiro de 1992. Em 9 de Maio de 1992, foi nomeado director-geral das Eleições que se realizaram em 30 de Novembro desse mesmo ano. Depois disso participou em várias missões eleitorais em representação das Nações Unidas na Guiné-Bissau (1994), Serra Leoa (1995), Bangladesh (1995/1996), Vulkovar na Jugoslávia (1996/1997), Lesotho (1998), República Centro-Africana (1998), Níger (1999) e Costa do Marfim (2000). 

Em sequência publicou ‘ELEIÇÕES ANGOLANAS 1992 - Uma Lição para o Futuro’ e ‘Eleições em Tempo de Cólera’, reunindo crónicas semanais escritas a partir de países onde trabalhou na organização de processos eleitorais. 

Presentemente é Juiz Conselheiro jubilado do Tribunal Constitucional de Angola.

Publicou ainda livros de contos e de histórias curtas, como ‘O Contos da Sereia’, ‘O Astrónomo de Herodes’, ‘O Gosto Amargo do Quinino’ e ‘Memórias de um Dark Horse’, o romance histórico ‘Descompasso - Angola 1962’ e o seu último romance ‘Lenguluka - Crónica de um Amor a Grande Velocidade’. “



Do ÍNDICE: 

A cada um a sua dipanda, de Manuel S. Fonseca 
ADVERTÊNCIA 
‘OS MEUS DIAS DA INDEPENDÊNCIA’ - quase quarenta anos depois 
‘OS MEUS DIAS DA INDEPENDÊNCIA’ - em 2019 ! 
Acrónimos e siglas 

I - A INDEPENDÊNCIA MARCADA PELOS ACORDOS DE ALVOR PARA 11 DE NOVEMBRO DE 1975 - Foi, de facto , declarada unilateralmente e em simultâneo em três locais diferentes: Luanda, Huambo e Ambriz 
- 11 de Novembro 1975: um voo nocturno para o Ambriz 
- 12 de Novembro: um reconhecimento embaraçoso 

II - ENQUANTO LUANDA MARTELAVA E DENUNCIAVA 
Através de todos os meios de comunicação ao seu alcance, aos angolanos e ao mundo, a 'coligação imperialista FNLA-UNITA', estes dois movimentos muito dificilmente se entendiam 
- 13 de Novembro: formando o Governo 
- 14 de Novembro: reunião bipartidária 
- 15 de Novembro: o princípio da rotatividade 
- 16 de Novembro: um jornalista em apuros 
- 17 de Novembro: à espera de Godot 
- 18 de Novembro: um dirigente impertinente 
- 19 de Novembro: Savimbi à porta 
- 20 de Novembro: a importância de um Governo 
- 21 de Novembro: cavalgando as nuvens 
- 22 de Novembro: faz anos o Hendrick e o Chipenda tem um bom augúrio 
- 23 de Novembro: uma sessão vibrante no Uíge 
- 24 de Novembro: uma promeira missão judicial 
- 25 de Novembro: na praia da sereia 
- 26 de Novembro: notícias de Portugal 
- 27 de Novembro: intelligence e segurança 
- 28 de Novembro: Santos e Castro, o velho guerreiro 
- 29 de Novembro: o discurso de Johnny Eduardo 
- 30 de Novembro: um voo frustrado de Kinshasa ao Huambo 

III - A 'REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE ANGOLA' 
Foi criada começando pelos pés... um no norte (Uíge, Zaire, Ambriz), e outro no sul (Huambo, Lubango, um pouco de Lobito e Benguela, Moçâmedes meio esquecida no deserto)… mas era um corpo à procura de uma cabeça que continuava separada, embora quase à vista, em Luanda 
- 1 de Dezembro: chegada triunfal a Nova Lisboa 
- 2 de Dezembro: na missão da Bela Vista 
- 3 de Dezembro: Savimbi falta à posse do Governo 
- 4 de Dezembro: sozinhos no Huambo 
- 5 de Dezembro: o Governo FNLA-UNITA reúne-se pela primeira vez 
- 6 de Dezembro: Graça Tavares fica preso no elevador 
- 7 de Dezembro: Savimbi declara guerra a Chipenda 
- 8 de Dezembro: um serão na província 
- 9 de Dezembro: nas ruas do velho Huambo 
- 10 de Dezembro: dia de pagamento 
- 11 de Dezembro: Graça de Tavares de braço ao peito 
- 12 de Dezembro: manhã de trabalho com N'Dele 
- 13 de Dezembro: o Governo no seu labirinto 
- 14 de Dezembro: um domingo tranquilo 
- 15 de Dezembro: nos caminhos da justiça 
- 16 de Dezembro: inquisição no Lobito 
- 17 de Dezembro: uma reunião de juristas - entre o passado e o futuro 
- 18 de Dezembro: em Benguela com os juristas 
- 19 de Dezembro: uma manhã perdida no Palácio de Benguela 
- 20 de Dezembro: uma reunião difícil com Chingunge 
- 21 de Dezembro: na Caota como em Capri 

IV - PERDIDO O NORTE PELA FNLA, A 'REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DE ANGOLA' FICA À MERCÊ DA UNITA... - Apenas o batalhão dito Chipenda constituía um obstáculo à essa inevitável hegemonia da UNITA no sul do país. A breve guerra que eclodiu no planalto visou liquidar no ovo a emergência ou qualquer veleidade de um poder partilhado 
- 22 de Dezembro: um Conselho de Ministros que termina em guerra 
- 23 de Dezembro: Holden chega ao teatro de guerra e enfrenta um dilema 
- 24 de Dezembro: uma consoada para a história 
- 25 de Dezembro: um presente de Natal 
- 26 de Dezembro: não tem casa quem quer 
- 27 de Dezembro: um caso de consciência 
- 28 de Dezembro: o mapa do sofrimento 
- 29 de Dezembro: faz anos o Peyroteo 
- 30 de Dezembro: plano de paz ao pequeno-almoço 
- 31 de Dezembro: o vaivém das comissões de paz 
- 1 de Janeiro de 1976: não pode haver paz sem amor 
- 2 de Janeiro: a UNITA toma o Menongue 
- 3 de Janeiro: um dia na casa de Vin Marshall 
- 4 de Janeiro: fogo na Chipipa 
- 5 de Janeiro: mais crise político-militar 
- 6 de Janeiro: à procura de um banco emissor 
- 7 de Janeiro: o meu plano de paz para o Lubango 
- 8 de Janeiro: plano aprovado, mas... 
- 9 de Janeiro: cheques em vez de dinheiro 
- 10 de Janeiro: discos perdidos 
- 11 de Janeiro: uma questão de meios 
- 12 de Janeiro: ao trabalho com o primeiro-ministro 
- 13 de Janeiro: bens deixados, bens tombados 
- 14 de Janeiro: José N'Dele ocupa-se das finanças do Huambo 
- 15 de Janeiro: Savimbi Presidente? 
- 16 de Janeiro: a motorizada azul 
- 17 de Janeiro: Conselho de Ministros ao sábado 
- 18 de Janeiro: os brancos da UNITA 
- 19 de Janeiro: onde os mistérios da polícia e da vida se encontram 
- 20 de Janeiro: falta de quórum 
- 21 de Janeiro: notícias alarmantes e mosquitos 
- 22 de Janeiro: história de uma bandeira 
- 23 de Janeiro: esperando o avião 
- 24 de Janeiro: a UNITA recebe armamento em Serpa Pinto 

V - GUERREANDO ENTRE SI E DISPERSANDO AS SUAS TROPAS NA INÚTIL OCUPAÇÃO E SAQUE DAS CIDADES - A FNLA e a UNITA ficaram à mercê das forças sul-africanas que guardavam as suas costas ao avanço das FAPLA e dos cubanos que as ajudavam. 
Quando as forças sul-africanas desceram regressando à sua primeira linha de intervenção, a cerca de cem quilómetros da fronteira com a Namíbia, a consequência foi a debandada. Em todas as direcções. Muitos foram os que vieram do Lobito e Benguela e do Huambo até ao Lubango e daqui seguiram em caravanas até à fronteira em Santa Clara (Namacunde). 
- 25 de Janeiro: retaguarda confusa 
- 26 de Janeiro: mais problemas financeiros 
- 27 de Janeiro: 'Os nossos irmãos da UNITA querem-nos matar!" 
- 28 de Janeiro: metralhadoras na mesa 
- 29 de Janeiro: a UNITA abandona a FNLA 
- 30 de Janeiro: divórcio no Huambo 
- 31 de Janeiro: nos braços do slow 
- 1 de Fevereiro: dia de missa e comício 
- 2 de Fevereiro: canoa furada 
- 3 de Fevereiro: o Governo estabelece comissões conjuntas itinerante 
- 4 de Fevereiro: a FNLA entra com o petróleo 
- 5 de Fevereiro: novamente no Lobito com o Carlos Fontoura 
- 6 de Fevereiro: reunião na Associação Comercial 
- 7 de Fevereiro: as 'forças do além' 
- 8 de Fevereiro: fuga para o Lubango 
- 9 de Fevereiro: um comboio cheio de medo cruzando a noite 
- 10 de Fevereiro: Astérix e snoopy 

VI - A ÚLTIMA 'ESTAÇÃO' PARA MILHARES DE ANGOLANOS E PORTUGUESES - Que fugiram de uma independência que enveredava por linhas travessas (e perversas) foi em Vila Pereira d'Eça (Ondjiva), que de pronto se tornou num verdadeiro campo de refugiados sob a autoridade e protecção sul-africanas, aproveitando, para o efeito, os vários edifícios ali existentes. 
- 11 de Fevereiro: assentando arraiais em Pereira d'Eça 
- 12 de Fevereiro: na fronteira ao telefone 
- 13 de Fevereiro: vacinas para todos 
- 14 de Fevereiro: quatro mil vacinados 
- 15 de Fevereiro: um domingo indiferente 
- 16 de Fevereiro: o comandante Lambert discursa e tranquiliza 
- 17 de Fevereiro: barrela e boa disposição 
- 18 de Fevereiro: a caminho de Santa Clara 
- 19 de Fevereiro: entre a espada e a parede 
- 20 de Fevereiro: trabalhos domésticos 
- 21 de Fevereiro: prisioneiros voluntários dos sul-africanos 

VII - RESGATE E REGRESSO AO PONTO DE PARTIDA 
- 22 de Fevereiro: a hora do resgate 
- 23 de Fevereiro: serviços secretos em acção 
- 24 de Fevereiro: a noite da má língua 
- 25 de Fevereiro: com visto por quarenta e oito horas 
- 26 de Fevereiro: preparativos tranquilos de partida 
- 27 de Fevereiro: um dia em Pretória 
- 28 de Fevereiro: de volta ao bureau 
- 29 de Fevereiro: domingo de carnaval 
- 1 de Março: histórias do divino mestre 
- 2 de Março: a última ceia 
- 3 de Março: estrela perdida 

VINTE E CINCO ANOS DEPOIS: Os meus companheiros dos dias da independência 
- Da FNLA 
- Da UNITA 
- E outros companheiros 


Preço: 47,50€; 

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