Angola & História - As dolorosas memórias do autor que foi perseguido, detido e encarcerado pelo MPLA por suspeitas de ligações aos líderes dos fraccionistas que a 27 de Maio de 1977 terão tentado destituir a liderança de Agostinho Neto
‘NUVEM NEGRA - O DRAMA DO 27 DE MAIO DE 1977'
De Miguel Francisco
Edição Perfil Criativo
Lisboa 2025
Livro com 140 páginas e em muito bom estado de conservação. Novo.
Da contracapa:
"Os acontecimentos que o leitor vai ter a oportunidade de acompanhar ao longo da leitura que for fazendo neste simples relato são factos reais, ouvidos, vividos e sentidos.
Não há invenções nenhumas.
Procurei, num esforço titânico, recordar ao máximo, aqueles acontecimentos e comportamentosque, mesmo aparentemente banais, evidenciavam sinais claros do pronúncio do dia 27 de Maio, bem como as trásticas consequências que se seguiram depois de fracassada a insurreição popular, que depois foi apelidada de "Tentativa de Golpe de Estado" ou, pior ainda, "Intentona Fraccionista".
“Este livro é um hino à liberdade, à Dignidade Humana, é um testemunho que deixará uma memória escrita às novas gerações para que situações semelhantes não voltem a acontecer numa jovem e grande Nação.“
Da badana:
“NOTA DO EDITOR
NA BUSCA DA VERDADE
O Presidente da República, João Lourenço, reconheceu publicamente os trágicos acontecimentos de 27 de Maio de 1977, expressando, em 2021, um pedido de desculpas em nome do Estado. Anunciou, ainda, medidas concretas para honrar a memória das vítimas, incluindo a emissão de certidões de óbito às famílias e a localização dos restos mortais de figuras como Nito Alves, Jacob João Caetano ‘Monstro Imortal’, Eduardo Ernesto Gomes ‘Bakalov’, Arsénio José Lourenço Mesquita ‘Siyanok’ e outros. O objectivo seria proceder à exumação e entrega dos restos mortais às famílias, para que pudessem realizar funerais dignos. Este gesto surpreendente foi amplamente considerado um passo significativo rumo à reconciliação nacional e ao reconhecimento dos erros cometidos durante aquele período sombrio da História de Angola.
No entanto, em 2025, os sobreviventes e as famílias dos desaparecidos - mais de 30.000 pessoas - continuam frustrados e sentem-se tratados como se fossem ‘perigosos leprosos’.
No contexto dos cinquenta anos da Independência Nacional (1975-2025), tomamos a liberdade de reeditar as memórias de Michel, um sobrevivente de um indigno campo de concentração. Os sobreviventes rejeitam a narrativa oficial de que houve uma traição a António Agostinho Neto é um suposto Golpe de Estado, reafirmando a necessidade de que o Estado, por meio de uma Comissão de Verdade, revele tudo o que sabe sobre a acusação de ‘Intentona Fraccionista’. Os sobreviventes classificam essa acusação como uma falsidade destinada a eliminar a ala socialista e comunista do MPLA. As vítimas, que ainda se sentem asfixiadas pela presença dos assassinos de 1977 no aparelho do Estado, clamam pela busca da verdade. Entre as suas reivindicações está o esclarecimento sobre quem foram os responsáveis pelos assassinatos das pessoas encontradas nas barracas do Bairro de Sambizanga, nas primeiras horas do dia 28 de Maio. Este episódio foi o catalisador do genocídio que se seguiu.
Passados tantos anos, outras perguntas inquietantes permanecem sem resposta: O Presidente António Agostinho Neto participou na preparação deste massacre, ou foi enganado? E os nossos amigos mais velhos e familiares, qual foi o seu papel?
O que sabemos hoje é que a Revolução Socialista terminou de forma abrupta e dramática em Maio de 1977.“
João Ricardo Rodrigues (Editor)
O Autor:
“MIGUEL FRANCISCO, vulgarmente conhecido por ‘Michel’, contrariamente ao que reza no seu Bilhete de Identidade, que diz ser natural de Calulo, Município do Libolo, nasceu na aldeia de Mussaulo, Comuna de Dalacachibo, Município da Quibala, Província do Cuanza-Sul, no dia 26 de Setembro de 1955. Libolo é apenas o local de nascimento dos seus progenitores, onde também viveu a infância desde os cinco anos, depois de ter regressado à Calulo, por força do desaparecimento do seu pai nos acontecimentos de 15 de Março de 1961.
É licenciado em Direito pela Universidade Agostinho Neto. É advogado, inscrito na Ordem dos Advogados de Angola com o número 500.
Leccionou as cadeiras de Direito Administrativo nas universidades Jean, Lusíadas e Instituto de Relações Internacionais do Ministério das Relações Exteriores, tendo também leccionado a cadeira de Contencioso Administrativo nas Universidades Lusíada e Metodista de Angola, respectivamente.
Foi membro da Comissão Nacional de Eleições, no período compreendido entre 2015 a 2021, por indicação da extinta coligação CASA-CE.
Para além do livro que agora se reedita, é também autor dos livros:
- ‘REFLEXÃO - O Racismo como Cerne da Tragédia do 27 de Maio’;
- ‘A Chaga’;
- ‘Os KANDIMBAS, o Chefe e a Pátria’.
Todos retratando os trágicos acontecimentos de 27 de Maio.“
Do ÍNDICE:
EU ESTIVE NUM CAMPO DE CONCENTRAÇÃO
ADVERTÊNCIA AO LEITOR
O FUNDAMENTO DA PUBLICAÇÃO
INTRODUÇÃO
- Os meses, semanas e dias que antecederam o ‘Golpe de Estado’ de 27 de Maio de 1977
Primeira Parte
LUANDA, MADRUGADA DO DIA 27 DE MAIO DE 1977
A PARTIDA PARA O DESTERRO
Segunda Parte
9 DE JUNHO, SANGONDO - MOXICO
Terceira Parte
- 26 de Agosto - Partida para o inferno
- 4 de Setembro, se me lembro
- O regresso ao focke
- A libertação enfim
Preço: 37,50€;




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