Portugal - Guerra Colonial & Moçambique - A denúncia internacional da perseguição e detenção do Moçambicano Domingos Arouca, um advogado negro nascido em Inhambane e formado na Universidade de Lisboa. Após a independência de Moçambique a 25 de Junho de 1975, concorreu às eleições presidenciais de 1994 e dirigiu o seu partido, a FUMI. Era membro fundador da ordem dos Advogados de Moçambique e do Conselho Superior da Magistratura Judicial. Neste órgão exerceu vários mandatos tendo chegado a ser eleito por proposta consensual da Frelimo, no poder, e da Renamo, o maior partido da oposição.
Revista ‘AFRIQUE-ASIE’, n. 667 - De 29 de Maio de 1972.
‘DOMINGOS AROUCA: SEPT ANS D’ATTENTE EN PRISON’
Paris 1972
Exemplar com 64 páginas, muito ilustrada e em muito bom estado de conservação. Excelente.
De muito difícil localização.
MUITO RARO.
Tema em destaque:
- ‘DOMINGOS AROUCA: SEPT ANS D’ATTENTE EN PRISON’
Par Aquino de Bragança
‘Les colonialistes portugais n’ont pas pardonné à Domingos Arouca d’être le premier avocat noir du Mozambique’
‘Sueveille par la PIDE’
‘Camp de Concentration’
‘Greve de la faim’
BIOGRAFIA:
“DOMINGOS AROUCA nasceu em Inhambane em 07 de Julho de 1928, numa família de camponeses, e como adolescente, depois de completar a escolaridade, trabalhou como balconista num escritório de advocacia local. Quando fez 16 anos, entrou na escola de enfermagem, e após a conclusão do curso trabalhou como enfermeiro, até aos 21 anos.
De acordo com uma fonte (seu livro ‘Discursos Políticos’), em 1949, ganhou um prémio significativo na loteria Rhodesiana, país em que tinha ido ilegalmente. Usou esse valor para pagar um bilhete para Portugal, onde trabalhou e estudou ao mesmo tempo, completando a sua educação secundária e, em seguida, entrou na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa.
Tais oportunidades educacionais eram extremamente difíceis para moçambicanos negros na época. Arouca usou bem o prémio da loteria para prosseguir a sua educação claramente determinante no futuro de sua vida. Formou-se em Direito em Portugal, em 1960, com a idade de 32 anos, tornando-se defensor qualificado de Moçambique na qualidade de primeiro advogado negro.
Arouca voltou a Moçambique e exerceu a advocacia em Lourenço Marques. No entanto, dessa vez ele também passou à política activa nacionalista e no jornalismo, e em 1965 ele foi eleito para a presidência do Centro Associativo dos Negros de Moçambique . Um mês depois, em 29 de maio, foi preso pela PIDE (A polícia política portuguesa), acusado de pertencer e trabalhar para a FRELIMO e o Centro Associativo foi encerrado. Ao todo, Arouca passou oito anos na prisão, de 1965 a 1973, quatro na Machava e os restantes em Portugal, em condições muito difíceis, no Forte-Prisão de Caxias em Lisboa e na Praça-forte de Peniche, em Leiria.
Arouca foi finalmente libertado em Junho de 1973 e deportado para Moçambique. Foi exilado para a cidade de Inhambane, sua terra natal, onde lhe foi permitido exercer a advocacia.
Após a queda do regime do Estado Novo em Lisboa e o início do processo de descolonização em Moçambique nos anos de 1974/75, Domingos Arouca ficou infeliz com a chegada da FRELIMO, com a ideologia marxisma-Leninista, formalizada no III Congresso, em 1977. Assim, regressou a Portugal para fundar o seu próprio partido, a FUMO (Frente Unida Democrática de Moçambique), 3 apresentou-se nos finais da década de 1970 e início de 1980, como o verdadeiro herdeiro de Mondlane.
Neste altura, Arouca atraiu críticas, ferozes e mesmo sarcásticas na imprensa moçambicana. Até à liberalização da economia no início de 1990, a FUMO foi um partido notável, principalmente pelo sua defesa de constituição liberal para Moçambique.
Após a adoção do pluralismo político, Domingos Arouca voltou novamente a Moçambique no início de 1992, tendo concorrido às eleições de 1994 - obteve menos de 1% nas presidenciais - e, daí começou a divisão do partido, com a proposta de uma união eleitoral com RENAMO, da qual Arouca se opunha, acabando por se demitir.
Arouca permaneceu activo como advogado até o final de sua vida.
Morreu em Maputo em Janeiro de 2009 com a idade de 80 anos, tendo ganho algum respeito, até mesmo de seus antigos adversários, como um homem que vincou as suas posições políticas. Lutou contra o racismo, tribalismo e defendeu sempre uma perspectiva de unidade nacional e da paz em Moçambique.“
Adaptação
Preço: 0,00€; (Indisponível)





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