Portugal - Descolonização & História - Manifesto da Comunidade Angolana refugiada no país, na sequência da trágica descolonização desenvolvida pelo MFA que levou à guerra civil com milhares de vítimas e milhões de refugiados, constituindo um documento histórico daqueles acontecimentos
‘ANGOLA - EQUACIONANDO O REGRESSO’
Autoria não identificada
Lisboa 1978
Exemplar com 10 páginas e em muito bom estado de conservação. Excelente.
De muito, muito difícil localização.
MUITO, MUITO RARO.
PROGRAMA DE ACÇÃO
“1. - Dadas as condições em que se desenrolou a fase de independência e a situação actual do País, os angolanos redactores deste documento só aceitam estabelecer relações com o MPLA nos seguintes termos:
a) - Expulsão imediata de todos os efectivos militares e técnicos estrangeiros que se encontram em Angola;
b) - Formulação de uma política de reconciliação nacional que conduza à Paz;
c) - Reconhecimento dos direitos indiscutíveis da UNITA e FNLA como representantes do Povo Angolano;
d) - Aceitação de um regime democrático, baseado em eleições livres e num esquema político pluripartidário.
2. - Na inexistência de tais condições, será o MPLA considerado como inimigo do Povo Angolano, e como tal sujeito a persegui, desmantelamento e procedimento criminal.
3. - Aceitamos e reconhecemos a FNLA e a UNITA como representantes do Povo Angolano, mérito conquistado com valor no campo da batalha.
4. - Como postulado democrático não é porém reconhecido a qualquer dos dois movimentos, ou simultaneamente a ambos, a exclusividade de tal representação.
5. - Compete a todos os angolanos, sem distinção de qualquer espécie, desenvolver e apoiar o esforço de guerra, compartilhando os encargos necessários à consecução da luta.
6. - Na sociedade angolana de amanhã não serão tolerados distinções baseadas em conceitos rácicos, étnicos ou culturais, bem como de formas de pensamento, opções religiosas ou outras.
Assentes nestes princípios orientadores, tomarão os angolanos filiados na organização como tarefas fundamentais:
a) - Pugnar pelo reconhecimento internacional da sua condição de cidadãos angolanos que se viram forçados a abandonar a Pátria por força de uma guerra civil injusta e fomentada pelo exterior;
b) - Levar ao conhecimento da comunidade mundial os crimes que se cometeram e cometem contra o nosso amado Povo, vítima da política de terror dos algozes soviéticos e cubanos;
c) - Exigir à ONU e à OUA a fiscalização da aplicação dos Direitos do Homem e do cidadão ao Povo mártir daTerra de Angola;
d) - Defesa dos valores sociais, culturais e morais das nossas tradições, que nos individualizam como sociedade e nos caracterizam como povo com identidade própria;
e) - Apoiar por todas as formas possíveis a heróica luta dos nossos irmãos da UNITA e FNLA, braço armado do Povo Angolano;
f) - Contribuir para a elaboração de planos de estudos e projectos adequados às reais carências da nossa gente, com vista ao rápido desenvolvimento e progresso de todos;
g) - Organizar quadros técnicos e sociais, que se encontrem aptos a assumir as pesadas responsabilidades de reconstrução do País, tão cedo ele seja libertado do domínio estrangeiro;
h) - Colaborar com todas as organizações afins, no sentido de divulgarmos e unificamos um processo de actuação que sendo convergente seja mais forte e seja coerente com a forma de pensar de todos os angolanos;
i) - Desenvolver todas as formas possíveis de apoio aos angolanos refugiados em Portugal, África do Sul, Zâmbia, Zaire, Botswana, etc, levando-lhes a expressão da nossa solidariedade e a palavra da nossa esperança;
j) - Aliámo-nos a todas as forças políticas de África que lutam contra as interferências e domínios do imperialismo explorador.”
Feito em Portugal, ano 3 do exílio
Do ÍNDICE:
NOTA PRÉVIA
- O MPLA e os movimentos de libertação
- Exilados no estrangeiro
EQUACIONANDO O REGRESSO
- Nós e os movimentos de libertação
PROGRAMA DE ACÇÃO
REGRESSO
- Poema de Alda Lara
Preço: 32,50€;