Portugal - Descolonização & HISTÓRIA - A autora reuniu informação, documentação e testemunhos da forma como o processo de descolonização foi conduzido pelo MFA (Movimento das Forças Armadas) após o derrube do regime do Estado Novo a 25 de Abril de 1974, onde fica provada a conivência das novas autoridades militares portuguesas nas ex-províncias ultramarinas de Angola e Moçambique com os movimentos nacionalistas marxistas-leninistas (MPLA, FRELIMO e PAIGC), em que estes tiveram carta branca para perseguir, prender e liquidar os seus adversários internos e promover a saída dos cidadãos brancos, mestiços e negros, muitos dos quais nascidos em África - até com várias gerações - e a defesa de vidas e bens dos cidadãos portugueses não foram devidamente protegidas pela administração nacional ainda vigente, antes pelo contrário…
‘DEIXAR ÁFRICA (1974 - 1977)’
O Trauma dos Portugueses de Angola e Moçambique
De Alexandra Marques
Edição Dom Quixote
Lisboa 2024
Livro com 420 páginas e em muito bom estado de conservação. Novo. Excelente.
Da contracapa:
“Alexandra Marques regressa com um livro sobre uma das páginas mais negras do Portugal contemporâneo - o processo de descolonização de Angola e de Moçambique. Um relato que vem, por fim, contar a verdade chocante sobre o que aconteceu aos portugueses das ex-colónias.
Se deixar África foi um trauma para os portugueses radicados em Angola e Moçambique, que razões o ditaram? O que aconteceu nessas duas maiores colónias portuguesas que impulsionou a sua saída? Que promessas fizeram os decisores militares e políticos do pós-25 de Abril e quais ficaram por cumprir? Que diplomas de expropriação e cerceamento de direitos vigentes foram criados?
Que retrato socioeconómico de Angola traçou o então ministro da Economia, Vasco Vieira de Almeida? O que foi feito para que pudessem salvar parte das poupanças? Como se processou a fuga até aos pontos de embarque? Como se vivia no campo de refugiados de Nova Lisboa, equiparado a um campo nazi por um capitão do MFA? Como foi a epopeia dos aportados a Portugal em traineiras e dos que se acolheram na África do Sul? O que fizeram as autoridades pelos portugueses que estavam nas prisões dos Movimentos armados? E se não houve uma guerra civil em Moçambique antes da independência, por que partiram quase todos os portugueses?
O que foi negociado nas reuniões secretas entre Melo Antunes e a delegação da Frelimo na capital da Tanzânia, antes do Acordo de Lusaca? O que aconteceu em Lourenço Marques no dia 7 de Setembro de 1974 e no massacre de brancos em 21 de Outubro? Que legislação emitiu o Governo de Transição e o Alto-Comissário, Vítor Crespo? E o que se passava nos campos de reeducação da Frelimo, para onde tantos portugueses foram levados?“
Da badana:
“A que se deveu a mágoa e a revolta dos portugueses que deixaram Angola e Moçambique ? A investigação empreendida deu origem à tese doutoral ‘DEIXAR ÁFRICA (1974 - 1977) Experiência e Trauma dos Portugueses de Angola e Moçambique’ (2017), na qual se baseia este livro.
Distanciado da versão oficial - de ter sido uma descolonização e historicamente inevitável - está, por isso, mais próximo da visão crítica de conceituados autores ocidentais que a descrevem como caótica, desordenada e de prolongada violência, constituindo um momento traumático para quem estava em retirada. A descolonização gerou transições turbulentas, guerras civis sangrentas e a instauração de regimes totalitários nas duas ex-colónias portuguesas, que motivaram o êxodo das populações, radicadas e autóctones.
Talvez por isso, em 1984, a opinião pública nacional tinha já uma ideia desencantada e até mesmo negativa do processo, alegando que as independências africanas tinham sido concedidas sem se defender os direitos dos portugueses lá radicados. Esta ideia foi tida por errónea, esperando-se que se apagasse da memória colectiva. O que não aconteceu. Porque não foi um processo desejado, pacífico e bem-sucedido para quem deixou Angola e Moçambique à pressa, fugindo ao ódio e ao revanchismo. A violência física e psicológica (sofrida ou observada) e o colapso dos sistemas (de saúde, ensino, justiça, segurança e administração) ditaram a partida, não obstante as perdas materiais e emocionais que implicava. Perderam lugares de pertença, o estatuto socioeconómico e o património adquirido e sofreram danos (Morais e/ou físicos) antes e durante o êxodo. Foram (como disse Costa Pinto) ‘os grandes perdedores’ da descolonização e, por isso, a sua voz não foi ouvida.“
A Autora:
“ALEXANDRA MARQUES nasceu em 1968, em Lisboa, onde vive atualmente. Foi jornalista de política nacional e europeia de 1991 a 2014. É doutorada em História Contemporânea pelo Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e autora da obra Segredos da Descolonização de Angola.”
Do ÍNDICE:
Siglas
I. - A PARTIDA DE ANGOLA: DA INCERTEZA AO DESESPERO
1. - INQUIETOS E APREENSIVOS
- Promessas e contradições
- Abusos e retaliações
- A exploração do medo
- Ataques aos muceques
- À espera de ficar
- O partidarismo branco
- Cercados e acossados
- Atemorizados e agredidos
- A agonia da escolha
- Desprotegidos e ameaçados
- Em estado de guerra
- Desalojados em Luanda
2. - UM ÊXODO DOLOROSO
- Indesejados nas duas pátrias
- Inseguros e perturbados
- A nacionalidade do retorno
- Fugindo à guerra
- Por terra até Portugal
- Flagelados: rumo ao sul
- Despojados por decretos
- O colapso e a ingerência
3. - ULTRAJADOS NO ADEUS
- Presos e raptados
- Como num campo nazi
- Refugiados na RAS
- Nos meandros da ponte aérea
- No caos da partida
- Na realidade pós-colonial
II. - A PARTIDA DE MOÇAMBIQUE
1. - NO TURBILHÃO REVOLUCIONÁRIO
- Revoltados com a tropa
- Evoluídos e destribalizados
- Pressionados pela FRELIMO
- À beira da rendição
- Nas reuniões secretas
- Antes de Lusaca
- O 7 de Setembro
- ‘O Povo Unido jamais será vendido’
2. - RUMO AO TOTALITARISMO
- A caça aos reaccionários
- Massacrados na vingança
- Com medo da violência
- Sob a ruína e a censura
- Prisões e campos de trabalho
- Impelidos pelo pânico
3. - NO EXPURGO PÓS COLONIAL
- Expropriados pelas leis
- Cerceados nos direitos
- Acossados pelas autoridades
- Poderes abusivos
- Detidos após a independência
- Violentados e expulsos
- Indignados à chegada
- Expulsos pela nacionalidade
Notas
Índice onomástico
Preço: 47,50€;



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