quarta-feira, 15 de abril de 2026

Moçambique - História & Arquitectura - ‘IBO - A Casa e o Tempo’, de Júlio Carrilho - Lisboa 2015 - RARO;




Moçambique - História & Arquitectura - O património histórico e arquitectónico da ilha do IBO 


‘IBO - A Casa e o Tempo’ 
De Júlio Carrilho 
Edição Caleidoscópio 
Lisboa 2015 


Livro de capas duras, com 212 páginas, ilustrado e em muito bom estado de conservação. Excelente. 
De muito difícil localização. 
RARO; 



SINOPSE:
“Ao fim de muitos anos de tentar dirigir esta máquina de pensar, que é a Faculdade de Arquitectura e de Planeamento Físico, são trabalhos como este que me dão alguma certeza de que, afinal, valeu a pena insistir na criação de uma tradição de pensamento, de uma atitude mental e de um espírito de constante curiosidade e intransigência intelectual e científica. Mas, e sobretudo, um espírito aberto à universalidade do saber que reconhece sem paternalismos as sofridas e sofisticadas ciências da sobrevivência e dos conhecimentos que se aprendem no leite da mãe, no exemplo do pai e no esforço da comunidade. Só com estas armas mentais e com estes instrumentos emocionais se pode fazer justiça a uma cultura que não se encaixa nos códigos da escrita, da formula abstracta e da erudição livresca ou literária. “


O Autor: 
“JÚLIO CARRILHO, Arquitecto Moçambicano, douturado pela Universidade de Roma, professor na Universidade Eduardo Mondlane, enfoque na abordagem e compreensão dos processos de transformação territorial de matriz orgânica nos espaços urbanos ditos informais.” 



Turismo no arquipélago das Quirimbas
Ilha de Ibo, um encanto decadente 
Expresso, 30 de Setembro
Paola Rolletta


A ilha do Ibo - no arquipélago das Quirimbas - é um destino que começa a aparecer nos roteiros turísticos mais sofisticados a cinco e seis estrelas, como Quilálea e Matemo. 

O Ibo ainda mantém um ar decadente, e já despertou o interesse nacional e internacional pelo grande património arquitectónico que possui, pelo que representa na história dos povos português e moçambicano. 

"Casas de pedra e limo, bichos obstinados na sua quietude. Pacientes, embalados pelo vaivém das marés. Deixando que o sal lhes carcuma a pele por terem desde há muito desistido de contrariar o tempo", escreveu numa estória da ilha, João Paulo Borges Coelho. 

As ruínas das casas, as ruínas das varandas, elemento tão característico da ilha, as ruínas das estradas, tudo isto foi levantado e estudado pela Faculdade de Arquitectura e Planeamento Físico (FAPF) de Maputo e publicado agora em livro, "Ibo - a Casa e o Tempo" pela pena de Júlio Carrilho, poeta e arquitecto e oriundo do Ibo. É apresentado ao público, em Maputo, juntamente com "Pemba, as Duas Cidades", levantamento da cidade de cimento e da "informal": a expansão recente da antiga Porto Amélia é constituída da adaptação à resistência permanente no ambiente urbano de uma tipologia de casa pré-colonial transformada e evoluída através de uma sabedoria antiga e ainda viva.

A ilha do Ibo já foi um terra de comércio de escravos. Quando a capital dos grupo de ilhas Quirimbas foi mudado para Pemba, a ilha do Ibo já não foi mais nada. Ficou refém das marés vivas e do esquecimento do tempo, com as varandas sempre mais vazias e sempre mais decadentes. Já se pensou fazer dela o centro de Zona Especial de Turismo, mas não deu em nada. 

Hoje o ambiente é mais favorável e muito se deve à mudança de mentalidade da qual a FAPF é certamente uma das principais mentoras, com o director José Forjaz e uma equipa de arquitectos moçambicanos e italianos que estão a levar a cabo o levantamento do património arquitectónico moderno moçambicano. 

Em Moçambique, onde os monumentos históricos não são certamente uma presença significativa, parece ainda mais importante tutelar este património arquitectónico que constitui a cara mais evidente das cidades de cimento, seja pela qualidade específica seja pela dimensão e o papel urbano, elemento importante pelo turismo urbano e sustentável, actual aposta de desenvolvimento.

"Ibo- a casa e o tempo" tem o aspecto mais de um diário de viagem do que um tratado de arquitectura. Júlio Carrilho, entre plantas urbanas e fotos de edifícios, relata as entrevistas feitas com os velhos habitantes que todos os segredos sabem das casas, das argamassas, da cal e das ervas usadas para ser mais forte. Reconhece um espaço especial a quem quando a maré não deixa pescar, come apenas maçanicas. 

E faz um acto de amor para com a sua ilha, alimentando o optimismo da convicção de que "também o presente ciclo de degradação e um certo marasmo será ultrapassado pela redescoberta da riqueza natural, de novas vocações para o relançamento económico e social e da importância do património tangível e intangível das ilhas no seu conjunto e do Ibo, em particular".


Preço:  0,00€; (Indisponível);

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