sexta-feira, 14 de agosto de 2026

África & Política - ‘ANGOLA, QUANTO TEMPO FALTA PARA AMANHÃ ?’, de Paulo de Carvalho - Oeiras 2002 - Raro;





África & Política - Reflexões sobre as crises política, económica e social em Angola enquanto país independente desde 11 de Novembro de 1975, após cerca de cinco séculos de colonização portuguesa 


‘ANGOLA, QUANTO TEMPO FALTA PARA AMANHÃ ?’ 
De Paulo de Carvalho 
Edição CELTA 
Oeiras 2002 


Livro com 190 páginas, ilustrado com quadros e gráficos e em muito bom estado de conservação. Excelente. 
De muito difícil localização. 
Raro. 


Da contracapa:
“Angola é um país mártir. Depois de viver um período colonial turbulento, continuou em guerra após a proclamação da sua independência política, em 1975. Como repercussão das guerras e da má gestão do governo, a situação económica é catastrófica, a maioria da população vive abaixo da linha de pobreza, estando nos últimos anos a verificar-se inclusivamente o empobrecimento das classes médias. As políticas cambial e salarial beneficiam claramente as elites e promovem a discriminação dos angolanos na sua própria terra. 

‘ANGOLA, QUANTO TEMPO FALTA PARA AMANHÃ ?’, é um título oportuno que reflecte o desespero ressentido por uma actualidade sombria e, ao mesmo tempo, a esperança impaciente num futuro melhor que se espera célere; a preparação desse amanhã passará por um exame sem concessões dos factores que determinam a situação actual. O Autor reuniu um conjunto de textos escritos ao longo da década de 1990, nos quais reflecte, numa perspectiva sociológica, sobre o conflito angolano, a problemática da nação em Angola, a crise económica e a crise moral - fazendo uma interligação entre as crises política, económica e social.“ 


Descrição: 
“A pergunta que dá título a este livro — ‘ANGOLA, QUANTO TEMPO FALATA PARA AMANHÃ ?’ - traduz a impaciência e a esperança frustrada de um país que, após décadas de guerra colonial e guerra civil, continua a interrogar-se sobre quando chegará finalmente a paz, a prosperidade e a justiça social que os seus imensos recursos naturais deveriam garantir. Paulo de Carvalho, sociólogo angolano, publicou esta obra pela editora Celta como uma reflexão académica rigorosa sobre as crises que assolam Angola: a crise política de um regime de partido único que resistiu à democratização, a crise económica de um país riquíssimo em petróleo e diamantes mas onde a maioria da população vive na pobreza, e a crise social de uma sociedade dilacerada por décadas de conflito armado, deslocações forçadas e destruição das estruturas comunitárias tradicionais. A capa, com uma paisagem angolana em tons de terra vermelha, evoca a vastidão e a beleza de um território cujo potencial permanece por realizar. Uma obra que interessa a todos os que acompanham a evolução de Angola contemporânea e se interrogam, com o autor, sobre quanto tempo faltará para o ‘amanhã’ angolano.”


ANÁLISE: 
“  ‘ANGOLA, QUANTO TEMPO FALATA PARA AMANHÃ ?’

Esta pergunta feita em 2002 por Paulo de Carvalho tem muito mais sentido e actualidade formulada hoje, ou, recuando no tempo, em 2009, depois da crise financeira e económica internacional que afectou os fundamentos da economia angolana de uma forma ainda hoje visível.

Os seis anos de recessão consecutiva (2015-2020) são a expressão mais evidente de que os alicerces do crescimento não existem e que as políticas públicas não têm sido as mais acertadas, persistindo-se na quebra do preço do barril de petróleo como a causa mais importante para se explicarem os soluços no comportamento da produção nacional. Quanto tempo falta para amanhã se perguntado hoje tem um significado muito preciso e, quiçá mesmo, dramático: de quanto tempo se necessita para retirar da pobreza mais de 14 milhões de cidadãos? Especialmente de boas políticas que engendrem desenvolvimento, igualdade, solidariedade e inclusão.

A meta de redução da taxa de pobreza para 24,5% em 2022, estabelecida no Plano de Desenvolvimento Nacional 2018- -2022, não vai acontecer, nem mesmo se não tivesse ocorrido a pandemia da Covid-19, cujos efeitos económicos e sociais aprofundaram a crise colectiva no país(2). De resto, e segundo reconhecimento oficial(3), o PDN, passados três anos e seis meses desde o início da sua implementação, foi executado em pouco mais de 50% do programado. Como, de resto, sempre aconteceu com a maior parte dos programas, planos e políticas elaboradas pelo MPLA desde a independência do país. Porquê este reduzido índice de execução? Talvez por excesso de optimismo na escolha de objectivos e estabelecimento das metas, deficientes avaliações das políticas, falta de capacidade ou de vontade de se estabelecerem prioridades, ausência de estudos custo-eficácia e custo-eficiência sobre a aplicação de recursos orçamentais que facilitassem o recentramento dos objectivos, etc.

A questão da definição de prioridades, para além de corresponder a uma prática salutar de governação - pois consente poupança de recursos financeiros, sempre escassos - limita a prática de tráfico de influências e facilita o escrutínio político sobre os resultados.”


O Autor:
“PAULO DE CARVALHO é angolano, sociólogo, professor auxiliar na Universidade Agostinho Neto, em Luanda. Os seus trabalhos de pesquisa incluem temáticas relacionadas com a exclusão social, a pobreza, as normas morais e a audiência dos média. 
Dentre os trabalhos académicos que tem publicados, destacam-se os livros: 
- ‘Estrangeiros na Polónia: Adaptação, Estereótipos e Imagens Étnicas; e 
- ‘Estrutura Social da Sociedade Colonial Angolana’.“ 



Do ÍNDICE: 

Dedicatória 
Índice de figuras e quadros 

NOTA INTRODUTÓRIA 
PREFÁCIO 
- Por Adelino Torres 

PARTE I - NAÇÃO EM ANGOLA 
1. - Nação e pátria 
2. - Nação em Angola 

PARTE II - O CONFLITO ANGOLANO 
3. - Características da guerra angolana 
4. - Génese do conflito angolano 
5. - Guerra e paz aos olhos dos luandenses 

PARTE III - POLÍTICAS ECONÓMICAS E SUAS CONSEQUÊNCIAS 
6. - Reflexões sobre política salarial 
7. - Política cambial selectiva 
8. - Inflação em Angola 
9. - O impacte da crise político-económica na qualidade de vida 
10. - Exclusão social em Angola 
11. - Situação da criança angolana 

PARTE IV - VALORES E ASPIRAÇÕES 
12. - Valores e aspirações de duas turmas de jovens do ensino médio de Luanda 
13. - A adaptação ao meio académico e ao sucesso escolar 

Conclusão 
Bibliografia 


Preço: 32,50€; 

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