quinta-feira, 16 de julho de 2026

Antropologia & Literatura - ‘ÁFRICA - NEGRITUDE, CRIOULISMO E ASSIMILAÇÃO EM ANGOLA’, de Lupi Fialho - Lisboa 2023;





Antropologia & Literatura - O livro analisa como a ‘Negritude’ - movimento literário e político fundado por nomes como Aimé Césaire e Léopold Senghor  - foi aplicada à realidade da África Lusófona. A obra investiga ainda o fenómeno do assimilacionismo e critica o conceito de luso-tropicalismo’ face à realidade local, bem como a associação errónea do termo ‘crioulo’ em Angola. Explora a complexa sociologia, história e política colonial angolana através destas três correntes identitárias.


‘ÁFRICA - NEGRITUDE, CRIOULISMO E ASSIMILAÇÃO EM ANGOLA’ 
O Anti-Cristo da Colonização 
De Lupi Fialho 
Edição LISBON - International Press 
Lisboa 2023 


Livro com 228 páginas e em muito bom estado de conservação. Excelente. 


SINOPSE: 
“Mais importante do que o conteúdo das ideias e das derivações, das falsas deduções, da História da colonização europeia dos séculos XV e XVI, em particular da colonização Ibérica, para o movimento woke, o peso da palavra, o jogo do sentido, ou da falta de sentido, das ideias que se apropriam de conceitos mal elaborados, é o que marca posição. 

Não é de espantar que o alvo directo, e de mais fácil apreensão para o movimento, seja o complexo das redes sociais e uma certa imprensa irresponsavelmente manipuladora que serve os seus interesses políticos mais radicais, que teima em maltratar as estéticas e os valores da civilização europeia presente na colonização, sejam eles os etnocêntricos, sejam ele os cristocêntricos, que foram, e continuam a ser, assimilados pelos ex-colonizados. Falamos aqui das estéticas e dos valores da Francofonia, da Lusofonia e da Hispanofonia, de que falava Léopold Senghor.

As raízes deste movimento woke encontram-se no pós II Grande Guerra, em que os existencialistas marxistas, cujo expoente foi Jean-Paul Sartre, tentaram, sobretudo a partir da década de 50 do século passado, destruir o papel desses valores e dessas estéticas, a ponto de no seu texto Orphée Noire este existencialista dogmático ter ensaiado uma definição pouco inteligente de Negritude, dela dizendo que é o racismo anti-racista. 

Felizmente, apesar de tudo e de alguns desencontros ideológicos, que a Legitime Defense e, mais tarde, o Movimento Presence Africaine, estavam dotados de mentes mais inteligentes, sensíveis e conhecedoras do significado da civilização negra, como Aimé Césaire, Léopold Senghor, Léon Damas, Alioune Diop e outros, que puseram a ridículo esta tese, em particular Léopold Senghor no seu célebre discurso de 21 de Abril de 1961 na Sorbonne.

Pretende-se neste ensaio tratar as questões e as raízes da Negritude e compreender a sua ligação ao errado qualificativo de Crioulos, onde ela não existe e, sobretudo, ao Assimilacionismo e ao seu pressuposto, no caso que nos interessa da África Lusófona, o Luso Tropicalismo.”


O Autor: 
“LUÍS FIALHO nasceu em 13 de Fevereiro de 1955. Por mero acaso nasceu em Lisboa, quando tudo apontava para que nascesse em Luanda, para onde regressou com apenas 15 dias. 
Após uns anos no Colégio Militar, de onde saiu no final do quinto ano do Liceu contra sua vontade, face à circunstância de que não havia ali a alínea ‘E’ do então chamado Curso Complementar dos Liceus, que dava acesso ao curso de Direito, acabou o Liceu em Nova Lisboa, actualmente Huambo. Formou-se em Direito na Faculdade de Direito de Lisboa em 1980. 
Após uma passagem pelo ensino nessa Faculdade e na Universidade Lusíada, abandonou-o para se dedicar, em exclusivo, à sua actividade profissional com uma longa carreira nos domínios dos petróleos, e não só, como advogado e jurisconsulto, com passagens pela gestão. 
Foi essa longa carreira que lhe permitiu correr entre Portugal, os EUA, vários países da Europa e de África, em particular Angola e alguns do Médio Oriente, onde ganhou larga experiência, quer a nível nacional, quer a nível internacional. 
Agora, limita-se basicamente, a ler e a escrever, que é o que gosta de fazer.“ 



Do ÍNDICE: 

NOTA INTRODUTÓRIA 

I. - NEGRITUDE E CULTURA 
1. - Aimé Césaire 
2. - Léopold Senghor 

II. - LUSO-TROPICALISMO E CRIOULISMO 
A - Luso-Tropicalismo 
1. - Gilberto Freire 
B - Crioulismo em Angola 
1. - Introdução ao tema 
2. - Mário António 
3. - Uma primeira conclusão 

III. - CORRENTES NEGACIONISTAS 
A - As correntes moderadas 
1. - Orlando Albuquerque 
2. - Leonel Cosme 
3. - Exemplo errado de Cabo Verde em Leonel Cosme 
B - Correntes radicais. O Anti-Cristo da Colonização
1. - Considerações introdutórias
2. - Victor Kajibanga 
3. - Buanga Fele 
4. - Claudia Castelo 
5. - A Miscigenação Não compreendido por Cláudia Castelo 
6. - Maria da Conceição Neto 

IV. - CRIOULISMO E ASSIMILAÇÃO 
1. - Nota Introdutória aos Temas 
2. - Crioulismo e Mário António 
3. - O papel do jornalismo e a consolidação da elite intelectual urbana 
4. - Crioulismo e Lusofonia 
5. - Assimilação cultural 
6. - A questão do dialecto crioulo 
7. - Aculturação e negritude: Não crioulismo
8. - Assimilação e associação 

Bibliografia 


Preço: 42,50€; 

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