segunda-feira, 11 de maio de 2026

Angola - Política & História - ‘PRISÃO POLÍTICA’, de Sedrick de Carvalho - Lisboa 2021;








Angola - Política & História - A história e análise de um regime que em nome da luta de libertação contra o colonialismo adoptou o autotarismo, a repressão, a censura e a violação sistemática e permanente dos direitos mais elementares dos angolanos num período já longo que cinco décadas…


‘PRISÃO POLÍTICA’ 
De Sedrick de Carvalho 
Edição Evalu & Perfil Criativo 
Luanda & Lisboa 2021


Livro com 208 páginas, ilustrado (fotografias e documentos reproduzidos) e em muito bom estado de conservação. Novo. Excelente. 


Da contracapa:
“Aprendi que a coragem não é a ausência do medo, mas o triunfo sobre ele. O homem corajoso não é aquele que não sente medo, mas o que conquista esse medo.“ 
Nelson Mandela 


NOTA DO EDITOR: 
“O PROCESSO 

No seguimento de várias edições dedicadas à questão da memória colectiva de Angola que temos vindo a publicar desde 2016, trazemos este ano (2021) o diário de cárcere de um jovem preso político, Sedrick de Carvalho, que nos revela os bastidores da sua detenção, prisão e julgamento.
O relato começa a 20 de Junho de 2015, na Vila Alice (Luanda) quando um grupo de jovens se encontrou no ILULA para realizar uma leitura colectiva da obra ‘DA DITADURA À DEMOCRACIA’, de Gene Sharp. Estes jovens foram violentamente presos por uma força especial de intervenção rápida do Serviço de Investigação Criminal (SIC), e mais tarde, assistiram a um bizarro julgamento no qual foram acusados de terrorismo. Sofreram uma prisão prolongada até 29 de Junho de 2016, data em que foram libertados por ordem do Tribunal Supremo.
Recordo-me de ouvir a notícia da prisão alguns dias depois de ter apresentado o retrato ‘5 de Fevereiro, o dia seguinte’ no Colóquio ‘Cultura Proibida, Património Estimado’ que decorreu no auditório do Museu Nacional de Etnologia de Lisboa. 
Tinha ido apresentar uma obra no campo da arte que alertava a opinião pública para a grave acusação de terrorismo que o corpo de intervenção rápida de Alfragide tinha feito a um grupo de meia dúzia de jovens, depois de os identificar como atacantes da sua esquadra. Uma cobarde mentira que levou a uma imprevisível condenação pelos tribunais, alguns anos mais tarde, dos agentes policiais envolvidos. 
Mas o que me surpreendeu foram as coincidências dos acontecimentos de Lisboa e de Luanda, de 2015 com os de 1961. A surpresa foi crescendo com as imagens do julgamento de onde se destacava o juiz Januário Domingos e o show, sem palavras, da procuradora Isabel Francony de Almeida Ventura Nicolau. A fotografia que publicamos nas páginas 4 e 5 deste livro é um verdadeiro ‘quadro’ que nos revela, de uma forma subtil, o peso do ‘papel’ que os magistrados representam em todo este processo. 
A chegada a Lisboa de um equipa policial do SIC, liderada pelo investigador Pedro João, para interrogar o Prof. Dr. António Alberto Neto (proprietário do ILULA), sem autorização e sem conhecimento da PGR e do governo liderado pelo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, foi apenas mais uma bizarria de todo este caso. 
Para não falar da condenação política à sentença dos 15+2 (com penas entre 2 a 8 anos de prisão), pelo ‘democrático’ parlamento português numa proposta de votação liderada pelo BE e PS e que acabou chumbada pelo PSD, CDS e PCP. 
Por fim, a grande surpresa: a coincidência, ou talvez não, do fim de um prolongado e quase eterno ciclo político que acabou com a saída de cena de quem dava as famosas ‘ordens superiores’ que justificavam todo o tipo de arbitrariedades. Um contributo dos 15+2 que assistiram no tribunal ao efeito ‘boomerang’ do seu processo se transformar no julgamento público dos intocáveis da torre de marfim. No ano do 60.* aniversário da início da luta de libertação e do 46.* aniversário da independência nacional revelamos mais uma vez que a construção da República de Angola tem sido um processo muito complexo, difícil, cheio de contradições e desilusões. Cerca de meio século depois é preciso deixar de tropeçar permanentemente nós mesmos erros, e seguir por outros caminhos que nos levem, de uma forma mais segura, a um futuro promissor.“ 
João Ricardo Rodrigues - Editor 


O Autor: 
“SEDRICK DE CARVALHO
Nasceu em Luanda, capital de Angola. Jurista, editor, jornalista e activista. Preso político condenado pelo regime angolano a quatro anos e seis meses no ‘Processo 15+2’, em 2016, sob a acusação de actos preparatórios de rebelião e associação de malfeitores. 

Fundador e coordenador editorial da Elivulu. Autor do livro ‘CABINDA - UM TERRITÓRIO EM DISPUTA (Ed. 2018) editado pela Guerra & Paz, em Lisboa, Portugal. 

Foi professor do ensino básico em Luanda. 

Associado da ‘Transparência e Integridade - Associação Cívica (TI-AC). Trabalhou nos jornais ‘Folha 8’ e ‘Novo Jornal’. Tem artigos publicados em jornais em Portugal.



Do ÍNDICE: 

PREFÁCIO 
INTRODUÇÃO 
- A detenção e os dias na esquadra 
- O campo de concentração de Calomboloca 
- No hospital-prisão de S. Paulo 
- O Tribunal da palhaçada 
- A prisão domiciliária e as temporadas
- Kaboxa - Viana - Kakila 
- De Kakila ao TIR 
- Liberdade: a concessão suprema 
- Caminhando 
- Sobrevivência 
Agradecimentos 
ANEXOS 


Preço: 0,00€; (Indisponível) 

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