quinta-feira, 28 de maio de 2026

Portugal - Angola & Guerra do Ultramar - ‘EM ARMAS PELO SONHO DO IMPÉRIO’, de António Chaves - Luanda 2014 - Muito Raro;








Portugal - Angola & Guerra do Ultramar - O autor relata a sua experiência no conflito militar registado nesta antiga província ultramarina portuguesa da África Ocidental entre 1961 e 1974, enquanto oficial subalterno de uma Companhia de Artilharia, nos meados da década de sessenta 


‘EM ARMAS PELO SONHO DO IMPÉRIO’ 
Angola: o mito do império português desfeito por um ex-combatente 
De António Carneiro Chaves 
Edição Mayamba 
Luanda 2014 


Livro com 356 páginas, ilustrado e em muito bom estado de conservação. Excelente. 
De muito difícil localização. 
Muito Raro. 


Da contracapa:
“ÁFRICA foi, desde tempos remotos, alvo de interesses e de cobiça, por parte de nações do continente Europeu. 
De 1961 a 1974, os territórios africanos sob domínio de Portugal foram palco de combate e chão de morte para tantos que aí nasceram e para os que em Portugal continental foram arrancados, na flor da idade, às suas famílias e terras de origem, e enviados para a ‘guerra do Ultramar’. Morte de certa forma, também, para aqueles que regressaram irremediavelmente marcados pelo horror, incapacitados de uma reinserção normal no tecido social da Pátria pela qual foram obrigados a combater. Sobre este caiu um manto de indiferença, incompreensão e silêncio, conferindo-lhes, comodamente, uma espécie de não-existência. Numa escrita por vezes poética na descrição de paisagens e emoções, António Chaves procura, à luz de uma investigação histórica, a génese da explosão nacionalista, as políticas, os preconceitos raciais e sociais que desembocaram na guerra em que participou. Por entre o relato autobiográfico e o ensaio sobressaem as questões prementes da convivência entre a cultura africana e a europeia, tão diferentes entre si, revelando a impreparação, ou pelo menos a dificuldade, de uma parte compreender a outra.”
Glória de Sousa 

AMBOS fomos personagens de uma guerra que ninguém queria, mas que era imprescindível e inevitável, dada a justeza das reivindicações dos povos de Angola e a inflexibilidade do Governo português. 
Por isso o Antigo pegou em armas e lutou - quiçá contra as suas convicções, por um lado, e pelo amor da pátria, por outro - dilacerado pelas mesmas dolorosas contradições por que eu mesma passava ao desejar que os portugueses saíssem incólumes e, simultaneamente, não afrontassem os chamados ‘turras’, em cujas fileiras se contava um dos seres mais importantes da minha vida: o meu irmão. 
Assim explico a relutância em ler a obra: tema em ferida, ainda aberta e na qual, quando assim é, não apetece mexer. 
Mas a excelência do escritor e a história em comum eram imperativos incontornáveis e li-a. Não de um só folgo, porque as memórias obrigam a parar, mas com a delícia de quem, relembrando, descobre que, afinal, não dói tanto assim, há maneiras e maneiras de tomar o mundo nos braços. O António pega-lhe com doçura, mas determinação.” 
Eduarda Correia 


O Autor:
“ANTÓNIO CARNEIRO CHAVES nasceu em 20.11.1943 num pequeno povoado de montanha  no norte de Portugal. Negrões, concelho de Montalegre onde viveu a sua infância. 
É licenciado em Economia pelo Instituto Superior de Economia de Lisboa e Mestre em Economia Europeia pelo Instituto de Estudos Europeus da Universidade Livre de Bruxelas. Na Bélgica foi correspondente da RTP, do semanário ‘O JORNAL’, antecessor da revista ‘Visão’ e de outros órgãos de comunicação. 
Foi bolseiro do Instituto para a Alta Cultura, bolseiro do Governo Belga e da Fundação Gulbenkian para a realização de estudos no domínio da Comunidade Europeia. 
Foi quadro superior do Instituto do Comércio Externo de Portugal, responsável pelo acompanhamento da conjuntura económica nacional e internacional e do sistema monetário internacional (incluindo o FMI), tendo publicado variados estudos imprensa especializada. Foi docente do Ensino Superior nas áreas de Gestão e de Marketing Internacional e consultor das mais destacas empresas portuguesas neste domínio. 
Desenvolveu durante duas décadas uma intensa actividade como empresário.
Dedicou-se desde muito cedo ao labor jornalístico, tendo colaborado em vários órgãos de informação de âmbito nacional e regional, onde sempre pugnou pela elevação dos valores da cultura e do desenvolvimento local.“ 



Do ÍNDICE: 

Dedicatória 
PREFÁCIO 

Parte I 
INÍCIO DA VIDA MILITAR 
- 1964 - Chamada ao serviço militar 
- Apresentação no Quartel de Mafra 
- O início da recruta 
- Marchas finais 
- Embarque para a Ilha de S. Miguel, Açores 
- Recruta nos Açores 
- Jantar de boases-vindas na Bateria de Artilharia em Pinta Delgada 
- Armando Maçanita da Silva rumo ao Nambuangongo em 1961 
- Salazar e os milionários 
- Reacção dos movimentos pela Independência de Angola 
- ‘Operação Viriato’ 
- Natureza e sociedade na Ilha de S. Miguel 
- Acidente mortal no rio Douro 
- Codeçoso e Negrões: ligação histórica 
- Da Aldeia de Negrões à viagem de barco para Angola 
- Embarque, 9 de Janeiro de 1965 
- Notas de viagem 
- Leituras a bordo 
- Pisões: ponto de confluência e hospitalidade 
- Primeira ligação de política 
- Último dia da viagem marítima 

Parte II 
NORTE DE ANGOLA 
- Desembarque em Luanda 
- Luanda, 25 de Janeiro de 1965 
- Caxito - Companhia de Caçadores 482 
- Fazenda do Bim Jesus (2 de Abril de 1965) 
- Uma Páscoa diferente 
- Regresso ao Caxito 
- Quadros da vida real no interior do quartel do Caxito 
- Caxito às portas da guerra 
- Alcides, o ‘impedido’ da Companhia 482 
- De Luanda para Sá da Bandeira 
- Instalação e correspondência 
- A recruta em Sá da Bandeira 
- Colocação em Vila Roçadas 
- Memória inquietante 

Parte III 
RESENHA HISTÓRICA 
- Conquista de Ceuta 
- Explorações marítimas na costa de África 
- Gil Eanes dobra o Cabo Bojador 
- Os primeiros escravos negros 
- O primeiro leilão de escravos africanos 
- Evolução do comércio de escravos 
- Rudeza e violência entre marinheiros 
- Rei do Congo e rei de Portugal, aliança entre iguais 
- Primeiros olhares de fascínio pelo Oriente 
- Comércio atlântico de escravos - um comércio triangular 
- Formação do capital e advento do sistema capitalista 
- Breve resenha da escravidão em África 
- Relação directa entre o crescimento da produção de açúcar de cana e o aumento do comércio transatlântico de escravos 
- Rota dos escravos de África, no continente africano e no atlântico 
- Transporte atlântico de escravos 
- Comércio atlântico de escravos e as relações angolano-brasileiras 
- O fim da escravatura 
- O fim da escravatura em Portugal 
- Abolição da escravatura no Brasil 
- Repercussões em Angola do fim da escravatura 
- Condenados ao degredo e comércio de escravos 
- Povoamento branco em Angola 
- A era industrial 
- Antecedentes da Conferência de Berlim de 1884-85 
- Desenvolvimento da colónia brasileira 
- Segunda metade do século XIX em Portugal 
- A situação de Angola na década de 1880 
- Conferência de Berlim (15 Nov. 1884 - 26 Fev. 1885) 
- Mapa cor-de-rosa 

Parte IV 
SUL DE ANGOLA 
- Demarcação e ocupação do sul de Angola 
- Povoamento do sul de Angola 
- Povoamento a partir de colonos livres 
- Bóeres na colonização da Humpata 
- De uma ilha para um continente 
- Do mar para a serra - penosa viagem 
- Campanhas militares do sul de Angola 
- Desastre militar do Vale do Pembe 
- Manuel do sobrado 
- Deportação para Lisboa de Gungunhana 
- Destacamento em Oncócua 
- Velho André 
- O povoamento rural branco no tempo do Estado Novo 
- Economia e sociedade em África 
- O fenómeno urbano 
- Trabalhado assalariado e empresa 
- Instabilidade e absentismo no trabalho 
- Reflexões de uma noite sem sono 
- Eu tive, também, um animal de estimação 
- Ideias dominantes no século XX e primeira metade do século XX 
- Política colonial portuguesa na década de 1950 
- Acto Colonial 
- O luso-tropicalismo 
- Carta de João Barroso da Fonte em Dezembro de 1966 
- Perdi o chapéu e a mala 
- Um azar nunca vem só 
- Aproximação à minha viagem de Lisboa a Montalegre 
- Em jeito de adeus a Angola 
- O fim do império ultramarino 
- Por debaixo das crostas da guerra 

Bibliografia 


Preço: 77,50€; 

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