domingo, 28 de janeiro de 2024

Portugal & 25 de Abril de 1974 - ‘A ORIGEM DO MOVIMENTO DAS FORÇAS ARMADAS’, de Luís Ataíde Banazol - Lisboa 1974 - RARO;





Portugal & 25 de Abril de 1984 - A origem do MFA (Movimento das Forças Armadas) que iniciou as suas reuniões conspirativas com uma questão de reivindicação corporativa entre os capitães do Quadro Permanente e os milicianos, após um discreto-lei sobre governo e evoluiu para o derrube do governo 


'A ORIGEM DO MOVIMENTO DAS FORÇAS ARMADAS' 
De Luís Ataíde Banazol 
Edição PRELO 
Lisboa 1974 


Livro com 100 páginas e em muito bom estado de conservação. Excelente. 
De muito difícil localização.
RARO. 



Do ÍNDICE: 

II 
III 
IV 
VI 
VII 
VIII
IX 


Preço: 25,00€; 

Angola & Portugal (Memórias) - ‘ESTÓRIAS COM HISTÓRIAS - Da minha sanzala’, de Rui Carreira Abreu - Lousã 2022 - Raro;





Angola & Portugal (Memórias) - O autor passou à escrita as suas vivências por terras angolanas - onde nasceu -, por Portugal, a sua passagem pela vida militar, em prosa, poesia e fotografias 


‘ESTÓRIAS COM HISTÓRIAS - Da minha sanzala’ 
E do candeeiro que deu à luz 
De Rui Carreira Abreu 
Edição do Autor 
Lousã 2022 


Livro com 196 páginas, ilustrado e em muito bom estado de conservação. Novo. Excelente. 
De muito difícil localização. 
Raro.


LIVRO DE RUI CARREIRA ABREU 
APRESENTADO NA LOUSÃ - 21 de Abril de 2022.
“Publicar a obra ‘ESTÓRIAS COM HISTÓRIAS - Da minha sanzala e do candeeiro que deu à luz’ é, para Rui Carreira Abreu, a ‘realização de um sonho’.

Natural de Angola e a viver na Lousã há mais de 30 anos, o autor apresentou o seu primeiro livro no dia 10 de Abril, no auditório da Biblioteca Municipal, na presença de familiares e amigos.” 

O LIVRO 
“Quanto ao livro, é composto por 4 partes. 
Essencialmente sobre a guerra que se instalou em Angola pós 25 Abril de 1974 até à minha vinda para Portugal em 1975. 
Inclui realidades e alguma ficção. 
As outras partes do livro, são dedicadas à prosa e poesia utilizando como temas: O amor; às saudades da terra que me viu nascer (Angola) escritas até ao ano de 2000.

Por fim, poesia com estórias escritas depois de 2001 até ao ano de 2022, sobre Angola e cantinhos do Portugal cultural; monumentos, museus, candeeiros, alminhas e fontes onde incluo poesia sobre a Lousã; e ainda sobre a minha vida profissional como militar. 
Um resumo que vai de 1981 até 2018.”


Preço:   0,00€; (Indisponível) 

quinta-feira, 25 de janeiro de 2024

Angola - Descolonização & UNITA - Cartaz de JONAS MALHEIRO SAVIMBI - Luanda 1974 - MUITO RARO;




Angola - Descolonização & UNITA - Um muito raro cartaz do líder e fundador deste movimento de libertação angolano que serviu para difundir a imagem por todo o território de Angola nos anos de 1974/75 


Cartaz de ‘JONAS MALHEIRO SAVIMBI’ 
Edição da UNITA (União Nacional para a Independência Total de Angola) 
Luanda 1974 


Exemplar com 44 x 28,5 cm, em muito bom estado de conservação. Excelente. 
De muito difícil localização. 
MUITO RARO.





UNITA - União Nacional para a Independência Total de Angola 

A União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA) é um partido político angolano, sendo a maior e mais organizada agremiação nacional de oposição desde 1976.

Presidente - Adalberto Costa Júnior
Vice-presidente - Arlete Leona Chimbinda
Secretário-geral - 
Álvaro Chikwamanga Daniel 

Fundação - 13 de março de 1966 

Filiação internacional - Internacional Democrata Centrista
Assembleia Nacional de Angola - 90 / 220

Ala jovem - Juventude Unida Revolucionária de Angola
Ala feminina - Liga da Mulher Angolana 

Cores - Verde e vermelho - Bandeira do partido

Página oficial - unitaangola.org 

Foi fundada em 1966 por dissidentes da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) e do Governo de Resistência de Angola no Exílio (GRAE), de que Jonas Savimbi, líder-fundador do partido, era ministro das relações exteriores. Lutou ao lado da FNLA e do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) pela independência angolana, partindo para uma longa Guerra Civil Angolana em que recebeu ajuda militar principalmente dos Estados Unidos e da África do Sul, enquanto que o MPLA recebeu apoio da União Soviética e seus aliados. 
Desde o fim da Guerra Civil em 2002 a UNITA abandonou a luta armada, convertendo-se num partido político.
A UNITA e seus militantes são conhecidos pelo epíteto ‘galo negro’, em referência a figura de um galo presente na bandeira do partido, bem como ‘Kwatchas’. 


História 
A articulação para a fundação da UNITA iniciou-se entre 1964 e 1966 enquanto Jonas Savimbi e António da Costa Fernandes (ou Tony Fernandes) estavam estudando na Suíça após a dissidência em conjunto do Governo de Resistência de Angola no Exílio (GRAE). Os primeiros esboços do partido teriam surgido em 1965 após longas reflexões e elaborações de programas e estatutos entre Tony Fernandes e Savimbi em Lausana, Genebra e Champex, na Suíça. Em 1965, foi atribuído a Tony Fernandes a tarefa de recrutar e fazer parte da delegação dos primeiros quatorze militantes do partido enviados para a Tanzânia e Zâmbia para receber treinamento em táticas maoístas e guerrilha rural. 

Fundação
A fundação oficial da UNITA foi conduzida por Savimbi e Tony Fernandes em 13 de março de 1966, em Muangai, na província do Moxico, Angola Portuguesa. Outros 200 delegados estavam presentes no evento de fundação do até então movimento guerrilheiro, dentre eles Miguel N'Zau Puna, Ernesto Mulato, Rúben Chitacumbi, José Liahuca, José Ndele, Jerónimo Wanga, Samuel Chiwale, Eduardo Jonatão Chingunji e Kafundanga Chingunji. A UNITA lançou o seu primeiro ataque contra as autoridades coloniais portuguesas em 25 de dezembro do mesmo ano, marcando a formação de seu braço armado, as Forças Armadas de Libertação de Angola (FALA). 
Após a sua formação em 1966, a UNITA, necessitando de apoios externos, aproximou-se principalmente da República Popular da China, mas também da Coreia do Norte, da Zâmbia e da Tanzânia, uma vez que os outros grandes países, passíveis de apoiar uma guerrilha anticolonial em Angola, já tinham compromissos ou com a FNLA ou com o MPLA. A preocupação dominante da UNITA foi, no entanto, a de assegurar-se o apoio dos ovimbundos, a maior etnia em Angola, à qual o próprio Savimbi pertencia. A UNITA travou operações de guerrilha no leste do então território colonial, sem conseguir chegar ao Planalto Central de Angola, o território base dos povos ovimbundos, entre os quais desenvolveu, no entanto, um intenso trabalho de mobilização política basada nos princípios maoístas chineses. 
Ocorre que em 1966 o MPLA passa a operar com muito êxito contra as forças coloniais portuguesas justamente no leste de Angola, tornando extremamente difícil o início das operações da UNITA. A exitosa "Frente Leste" émepelalista conquistou enormes porções da Lunda Sul, Moxico, Cuando-Cubango, Lunda Norte e Malanje (ampliando sua base de apoio etnolinguística). Em tal cenário, a UNITA firmou com a Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) um pacto de colaboração para combater o MPLA. Ainda em 1966 e 1967, a UNITA perde o apoio que tinha da Zâmbia, que faz com que se aproxime do Egito e ainda timidamente da África do Sul e dos Estados Unidos. 
No início da década de 1970 o movimento estava em ponto de fragmentação em função das derrotas militares e de uma divisão interna crescente entre Savimbi e a influente família Chingunji, levando a uma série de emboscadas e assassinatos misteriosos que atingiram nos anos seguintes Samwimbila Chingunji, Estevão Jonatão Chingunji, Violeta Jamba, Dino Chingunji, Alice Chingunji e Kafundanga Chingunji, além de outros membros da família. Tal divisão formaria ao longo dos 20 anos seguintes duas virtuais alas: a de Jamba, liderada por Savimbi, e a do Planalto (ou do Huambo), liderada por Tito Chingunji. 

Pós-independencia angolana (1975-1990)
Quando Portugal anunciou, na sequência da revolução dos cravos de 25 de Abril de 1974, a sua intenção de retirar-se das suas colónias, os três movimentos (MPLA, FNLA e UNITA) são chamados a assinar o Acordo do Alvor de partilha do poder, estabelecendo o Conselho Presidencial do Governo de Transição. A paz dura poucos meses e inicia-se uma luta armada pelo poder, com a UNITA envolvendo-se do lado da FNLA contra o MPLA. Derrotados em Luanda pelo MPLA no dia da independência nacional em 11 de novembro de 1975, UNITA e FNLA proclamam no Huambo e em Ambriz a criação da República Popular Democrática de Angola. Apesar dos apoios já não da China, mas dos Estados Unidos, da África do Sul (ainda no tempo do apartheid) e de outros países, a coligação é militarmente derrotada em fevereiro de 1976, devido à intervenção de Cuba do lado do MPLA. A aliança UNITA—FNLA desfaz-se de imediato, produzindo-se inclusive hostilidades esporádicas entre ambas, no centro e no sul do país. 
O MPLA proclama um Estado de partido único e a UNITA e a FNLA passam a ser consideradas ilegais, e ambas retomam, sem demora, a luta armada contra o MPLA. Inicia-se assim a Guerra Civil Angolana que durará até 2002 e, para lá das dinâmicas internas, é condicionada pela Guerra Fria que prevalecia, internacionalmente, durante boa parte deste período. Ao mesmo tempo, a UNITA continuou a beneficiar-se de um enraizamento entre os ovimbundos e muito timidamente nas etnias do leste e sul angolano. Esta constelação permite à UNITA manter e diversificar os seus apoios externos, enfrentar as forças governamentais não apenas com tácticas de guerrilha, mas por vezes em combate "convencional", e controlar partes do território durante fases de extensão significativa. 
A partir de 1979 a UNITA aproxima-se cada vez mais dos Estados Unidos e do regime do apartheid sul-africano para fazer frente ao MPLA, abandonando a ideologia maoísta, adotando uma forte retórica anticomunista. Outra mudança do período é que estabelece sua principal base em Jamba-Cueio. Em Jamba a UNITA chegou a organizar o Jamboree Internacional Democrata, em 1985, um consórcio que reuniu grupos guerrilheiros financiados pela CIA, como os mujahideens do Afeganistão, os renamenses de Moçambique, os contras da Nicarágua e os quemer vermelhos do Camboja. Os serviços de propaganda — Voz da Resistência do Galo Negro-Angola (Vorgan) — e de inteligência e contra-inteligência — Brigada Nacional de Defesa do Estado (Brinde) — são fortalecidos no período. 
A partir da década de 1980, com o gradual afastamento do campo da esquerda, a estrutura da UNITA foi tomando características cada vez mais fortes de exacerbado militarismo e um culto à personalidade de Savimbi. Atos de extrema violência eram desencadeados diante das mais pequenas manifestações de deslealdade. Às vezes, os assassinatos eram realizados usando rituais tribais e místicos. Alguns dos fatos mais notórios ocorreram nos anos de 1981 e 1982 quando dois episódios de purga interna partidária, coletivamente chamadas de "Queima das Bruxas" ou "Setembro Vermelho", ordenadas por Savimbi, levaram a acusação de feitiçaria contra diversas pessoas – sobretudo mulheres e crianças –, onde foram queimadas vivas na Jamba pela Brinde. Jorge Sangumba, Navimbi Matos e Waldemar Chindondo foram alguns dos notórios mortos no episódio. As denúncias de tais acontecimentos vieram a público por influência de Florbela Malaquias, rompida com o partido por causa do "Setembro Vermelho". 

Cisões e fim da guerra civil 
Conflitos agudos ocorreram mais de uma vez na liderança da UNITA com a aproximação da década de 1990, principalmente pondo em questão a capacidade de liderança de Savimbi e da ala da Jamba. A purga interna atingiu definitivamente a ala do Planalto, vitimando os nomes de Wilson dos Santos e Tito Chingunji. Outros nomes também perseguidos no período foram os de Ana Paulino Savimbi (enterrada viva) e Samuel Chiwale, mas este não chegou a ser assassinado. A denúncia pública de mais uma purga interna partidária enfraqueceu definitivamente as relações da UNITA com os Estados Unidos e levou a formação da Tendência de Reflexão Democrática (TRD), uma cisão da UNITA, fundada por Miguel N'Zau Puna e Tony Fernandes, contando com a adesão também de Fátima Roque, Paulo Tjipilika e José Ndele. Georges Chikoti, Assis Malaquias e Dinho Chingunji, por sua vez, romperam e fundaram o Fórum Democrático Angolano (FDA), que tornou-se partido. A TRD posteriormente integrou-se ao MPLA, enquanto que a ideologia tribalista savimbista dominou os rumos UNITA até 2002, inclusive com a expulsão da maioria os quadros não-ovimbundos da liderança do movimento. 
No fim dos anos 1980, a derrota na Batalha de Cuito Cuanavale e o prenúncio do fim da Guerra Fria fez a liderança do partido aceitar os esforços de mediação empreendidos de vários lados por uma solução política do conflito, desde que o MPLA concordasse com a passagem de Angola para uma democracia multipartidária. Este último passo foi dado com a adopção da constituição de 1992 que criou as bases para que, logo depois, se concluísse o acordo de paz de Bicesse entre a UNITA, o MPLA e a FNLA. 
Após o acordo, a UNITA constituiu-se como partido político e concorreu às eleições parlamentares e presidenciais marcadas para 1992, certa de que estas lhe seriam favoráveis. Porém, nas eleições parlamentares obteve uma votação de mais de 30%, portanto expressiva, mas que ficou aquém das suas expectativas. Nas eleições presidenciais, os cerca de 42% obtidos por Jonas Savimbi impediram que José Eduardo dos Santos, presidente em exercício que reuniu 49% dos votos, obtivesse na primeira volta a maioria absoluta, do modo que, pela legislação então em vigor, uma segunda volta teria sido necessária. Esta não chegou no entanto a realizar-se, porque a UNITA declarou de imediato que tinha havido fraude nas eleições presidenciais, e retomou as suas actividades militares — enquanto os deputados eleitos pela UNITA assumiam as suas funções de forma regular. Na retomada dos confrontos ocorreu o Massacre do Dia das Bruxas, perpetrado pelo Estado angolano, que vitimou destacadamente os dirigentes da UNITA Jeremias Chitunda, Alicerces Mango e Salupeto Pena. A resposta da UNITA ao Massacre do Dia das Bruxas veio com os episódios violentos da batalha de 55 dias no Huambo. Após uma sequência de vitórias iniciais, a UNITA passou a perder terreno de maneira dramática, devido ao reforço maciço em pessoal, formação e equipamento das Forças Armadas de Angola (FAA), no essencial financiado pelas receitas do petróleo. 
A opção pelo retorno à luta armada gerou forte reação internacional contra a UNITA, com o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovando a Resolução n.º 864, de 15 de setembro de 1993, que, dentre outras coisas, proibiu a entrada e trânsito em países membros das Nações Unidas aos principais dirigentes do galo negro, o encerramento total das delegações da UNITA no estrangeiro, a proibição de concessão de autorização para decolagem, aterragem ou sobrevoo de qualquer avião que não figurasse na lista fornecida pelo Estado angolano e o desarmamento e demobilização de todas as tropas oficiais e extraoficiais do partido. 
Em paralelo, constituiu-se uma dissidência da UNITA, designada "UNITA Renovada", liderada pelo deputado Eugénio Manuvakola; esta corrente era a favor do abandono da luta armada e de uma concentração sobre a luta política. No fim dos anos 1990 era patente que a UNITA tinha perdido o combate em termos militares, e sofrido um sério abalo político pela revogação do seu estatuto político e o repasse deste à UNITA Renovada. A importantíssima base de Jamba cai em 1999, nos estágios finais da guerra, com o partido sendo obrigado a centrar sua base e centro de poder em Munhango. Perseguido por uma unidade das forças governamentais, Jonas Savimbi é morto em fevereiro de 2002. 
A situação política angolana no pós-guerra fria, em que o MPLA optou pelo neoliberalismo coligado com a social-democracia e renunciou ao marxismo-leninismo, trouxe um impacto profundo na configuração de poder nacional, a que o jornalista Rafael Marques aponta como um "realinhamento político" ou "inversão eleitoral crítica", com a UNITA tomando posições antes do MPLA e vice-versa — semelhante ao ocorrido em 1932 entre os partidos estadunidenses democrata e republicano. Embora claramente falasse em livre mercado, a UNITA mantinha discursos pautados na valorização da economia popular (ou economia "candongueira") na década de 1990 — constrastando com a nova posição neoliberalizante do MPLA. 

Pós-guerra civil
Após a morte de Savimbi, o vice-presidente da agremiação António Sebastião Dembo assumiu interinamente, mas morreu em consequência dos ferimentos dos combates finais poucos dias depois. Paulo Lukamba Gato, general das FALA e secretário-geral do partido, assumiu interinamente por cerca de um ano até a realização de uma nova eleição interna. Gato conduziu a UNITA a assinar o Memorando de Entendimento do Luena — complemento aos acordos de paz de Bicesse e Lusaca — e tornar-se um partido civil, com o abandono da luta armada. No congresso da refundação do partido, onde a UNITA Renovada e outros elementos dissidentes foram reintegrados, Isaías Samakuva foi eleito presidente. 
Retomado o seu estatuto político, o partido pôde concorrer às eleições parlamentares de setembro de 2008. Porém, a UNITA obteve pouco mais de 10% dos votos, tornando-se um ator político com poucas condições para exercer funções efectivas de oposição. 
Em 2012, esta situação levou à saída de uma dos seus mais destacados dirigentes, Abel Epalanga Chivukuvuku, que fundou uma coligação partidária, a Convergência Ampla de Salvação de Angola - Coligação Eleitoral (CASA-CE). Apesar desta perda, a UNITA incrementou em 80% o seu percentual de votos nas eleições realizadas em 2012, duplicando o número dos seus deputados, enquanto a CASA obteve respeitáveis 6% (e 8 deputados) — constituindo-se, deste modo, um bloco de oposição parlamentar significativa ao MPLA. 
Nas eleições de 2017, a UNITA quase duplicou outra vez o número de acentos no parlamento, saindo de 32 para 51 deputados, sendo que a CASA-CE passou de 8 para 16 deputados, de forma que os dois partidos começaram a organizar melhor a oposição parlamentar. A partir de meados da década de 2010, a UNITA adotou a opção ideológica pelo autarquismo que tem sido sua bandeira mais notória desde então. 
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Congresso de 2019 e eleições de 2022
O seu XIII Congresso Ordinário, realizado entre os dias 13, 14 e 15 de novembro de 2019, foi o mais renhido da sua história em relação à disputa da presidência. Concorreram cinco candidatos, todos eles dirigentes de grande relevo no partido, como o diplomata Alcides Sakala Simões, na altura secretário para as relações internacionais, o deputado e académico José Pedro Katchiungo, na altura também vice-presidente da bancada parlamentar, Abílio Kamalata Numa, um destacado general da reserva, o jornalista Raúl Danda, na altura vice-presidente do partido, e o engenheiro Adalberto Costa Júnior, então presidente da bancada parlamentar, que veio a ganhar as eleições, com pouco mais da metade dos votos. O congresso sagrou Arlete Leona Chimbinda como a primeira mulher a ser alçada à vice-presidência partidária. 
Os resultados foram contestados judicialmente e Costa Júnior e Samakuva precisaram costurar um acordo de manutenção deste último na presidência interina do partido em setembro de 2021, até a realização de um novo congresso, em dezembro de 2021. A contestação de Samakuva seguiu diante de uma nova vitória de Costa Júnior. O litígio foi resolvido judicialmente em março de 2022, com Costa Júnior assumindo definitivamente a presidência da UNITA. 
A 5 de outubro de 2021, os partidos de oposição UNITA, Bloco Democrático e PRA JÁ-Servir Angola anunciaram a formação de uma coligação denominada Frente Patriótica Unida (FPU). Adalberto Costa Júnior da UNITA foi anunciado como candidato da FPU. Em março de 2022 a FPU não pôde se inscrever como coligação por não cumprimento de requisitos eleitorais, muito embora tenha continuado a existir como plataforma oposicionista durante a campanha eleitoral. Assim, a FPU optou por deixar as agremiações menores fora da eleição, para fortalecer a mais bem colocada nas pesquisas, com os membros dos partidos Bloco Democrático e PRA JÁ-Servir Angola optando por se inscrever na lista da UNITA. 
Para as eleições gerais de Angola de 2022, o partido indicou Adalberto Costa Júnior como cabeça de lista, ladeado pelo militante retornado aos quadros Abel Epalanga Chivukuvuku, como vice-cabeça de lista. O partido ficou em segundo nas eleições, com 2 756 786 de votos nas urnas, registrando 43,95%, seu melhor resultado eleitoral desde sempre, conquistando 90 cadeiras parlamentares, face às 51 das eleições de 2017. Pela primeira vez, desde as eleições de 1992, o partido ganhou maioria de representação parlamentar em províncias, sendo o caso de Luanda, Cabinda e Zaire. 

Espectro e ideologia
No final da década de 1970, o movimento renunciou ao maoísmo, sua vertente ideológica mais antiga e que tinha como líder Samwimbila Chingunji, em nome de uma aliança com os Estados Unidos e com o regime do apartheid sul-africano, adotando uma retórica anticomunista no período. Principalmente a aliança com o regime sul-africano rendeu ao partido um grande ostracismo político no continente africano e severas críticas até a década de 1990. Outro ponto de virada foi a morte de Savimbi, que refletiu na mudança ideológica do partido, deixando o nacionalismo de esquerda, corrente particularmente savimbista. Este fato alterou seu espectro, que, de situado mais a uma centro-esquerda anticomunista, passou a um movimento sem ideologia dominante, sendo um partido pega-tudo. Segundo Jofre Justino, o partido assim teria várias correntes, sendo a dominante, direitista, capitaneado por Isaías Samakuva. As demais correntes do Galo Negro seriam a da esquerda, dirigida pelo general Paulo Lukamba Gato; e a do centro, capitaneada por Abel Epalanga Chivukuvuku (que acabou por romper com a UNITA e formar um novo partido). 
Com Samakuva e Costa Júnior, a UNITA posicionou-se mais à centro-direita com opção ideológica definida pelo autarquismo. 

Organização
Mantém uma ala jovem, a Juventude Unida Revolucionária de Angola (JURA), e uma ala feminina, a Liga da Mulher Angolana (LIMA). Mantém também o órgão de mídia e informação Kwacha UNITA Press (KUP).”


Preço: 350,00€; 

Portugal & Guerra do Ultramar - ‘FUI SOLDADO E MORRI’, de Paulo Sande - Lisboa 2020;





Portugal & Guerra do Ultramar -


‘FUI SOLDADO E MORRI’ 
De Paulo Sande 
Edição Gradiva 
Lisboa 2020


Livro com 416 páginas e em muito bom estado de conservação. Novo. Excelente.
De muito difícil localização. 


SINOPSE: 
“Há um tempo português em África. Os velhos colonos recordam a história da escassa gente que do cabo do continente velho se fez ao mundo e depois voltou, quando voltou.

Entretanto encontrou povos, dominou-os, foi dominado. E viveu ilusões, desilusões, tudo o que torna humanos os seres humanos: amor, desamor, guerras, promessas. Sofreu horrores, praticou-os. Fez revoluções, para mudar, para libertar, para sonhar, sonhos por vezes manchados. Alguns não souberam voltar. Outros, o acaso, uma inspiração, resgataram-nos. Foi nesse tempo português em África. Esta é a história de um soldado português entre messes militares.

Amou, matou, foi torturado, exilado. Esta é uma história portuguesa situada para além de ideologias e interesses, do politicamente correcto e dos disparates radicais. E há tantas por contar…” 


O Autor:
“PAULO SANDE escreve desde que se lembra (e já se lembra há algum tempo). Publicou um único livro de poemas e vários sobre a Europa. Costuma dizer que o ideal europeu – de paz, solidariedade e unidade – é a causa que descobriu na vida. Já a escrita é a causa que a vida descobriu para si. Fez muita coisa, viveu em dezenas de cidades de três continentes, mas o que mais lhe interessa é ler um dia no seu próprio epitáfio: foi escritor.”


Preço: 27,50€; 

Portugal & PREC - ‘PARTIDO TRABALHISTA - Declaração de Princípios, Constituição e Estatutos’ - Lisboa 1974 - MUITO RARO;








Portugal & PREC - Um dos primeiros partidos surgidos logo após o derrube do Estado Novo a 25 de Abril de 1974 e que acabou por ser perseguido e proibido pelo MFA no PREC (Processo Revolucionário em Curso) de concorrer às primeiras eleições livres…


‘PARTIDO TRABALHISTA’ 
Declaração de Princípios, Projecto de Constituição Política e Estatutos do Partido. 
Edição do PT (Partido Trabalhista) 
Lisboa 1974 


Livro com 88 páginas e em muito bom estado de conservação. 
O documento insere - em separado - uma ficha de inscrição de militantes. 
De muito, muito difícil localização. 
MUITO, MUITO RARO.


Da Abertura: 
“A Declaração de Princípios, o Programa (Projecto de Constituição Política, destinado às próximas eleições) e os Estatutos aqui publicados constituem os documentos fundamentais do PARTIDO TRABALHISTA - P.T. - foram aprovados por unanimidade e aclamação pelos Plenários de Militantes do Partido, realizados em Novembro de 1974 e constituem o elo de união entre todos os membros do Partido.“ 


Da Declaração de Princípios: 
“Oito dias após o 25 de Abril de 1974, um grupo de trabalhadores que faziam parte da oposição democrática e combatiam com os meios ao seu alcance o regime fascista, podendo , finalmente, comparticipar às claras na defesa dos ideais democráticos e usar do direito fundamental do M.F.A., formaram o PARTIDO TRABALHISTA Democrático Português.“ 


Da contracapa: 
“Paz - Liberdade - Democracia 
Trabalho - Justiça - Progresso 
Família - Educação - Igualdade 

INDEPENDÊNCIA NACIONAL “



Do ÍNDICE: 

Abertura 
PARTIDO TRABALHISTA 

1. - DECLARAÇÃO DE PRINCÍPIOS 
2. - PROJECTO DE CONSTITUIÇÃO 
(Programa para as próximas eleições) 
3. - ESTATUTOS DO PARTIDO 


Preço: 37,50€; 

Angola - Cultura & Ultramar - ‘BOLETIM CULTURAL - Da Câmara Municipal de Sá da Bandeira’, n. 33 - Julho-Dez. 1972 - (Padre Carlos ESTERMANN) - Sá da Bandeira 1972 - MUITO RARO;






















Angola - Cultura & Ultramar - Uma homenagem a Carlos Estermann, ao missionário, professor, investigador e cientista que dedicou a sua vida ao estudo antropológico das populações angolanas, com inúmeros testemunhos de sacerdotes e leigos que com ele conviveram 


‘BOLETIM CULTURAL - Da Câmara Municipal de Sá da Bandeira’, n. 33 - Julho-Dez. 1972.
Padre Carlos ESTERMANN - Edição especial 
Edição da Câmara Municipal de Sá da Bandeira 
Impressão na Gráfica da Huíla 
Sá da Bandeira 1972 


Livro com 162 páginas, muito ilustrado e em muito bom estado de conservação. Excelente. 
De muito difícil localização. 
MUITO RARO.



Do ÍNDICE: 

PADRE CARLOS ESTERMANN 
- Biografia 
Por P. Manuel Geraldos Pereira 
- Bibliografia 
- Meio Século de Serviço Exemplar 
Por Eurico Dias Nogueira (Bispo de Sá da Bandeira) 
- Um Missionário é um Sábio 
Por D. Manuel Nunes Gabriel (Arcebispo de Luanda) 
- Missionário Acima de Tudo 
Por D. Altino Ribeiro de Santana (ex-Bispo de Sá da Bandeira e actual da Beira) 
- Sacerdócio e Acção 
Por P. Orlando Ribeiro de Santana 
- A Causa do Ensino 
Por Prof. Albino Fernandes de Sá 
- O Testemunho do Continuador 
Por Pére Carlos Miltteleberger 
- APRESENTAÇÃO 
Por Manuel Viegas Guerreiro 
- Uma carta 
D. Moisés Alves de Pinho 
- Extractos de uma carta 
Dr. António Simões 
- Uma carta 
P. Antoine Husser 
- Uns Tantos que não aparecem na Homenagem 
P. António Joaquim da Silva 
- IN MEMORIAM - Prof. Dr. Hermann Baumann 
P. Carlos Estermann 

O QUE DISSE A IMPRENSA 
- ‘Sá da Bandeira prestou homenagem ao P. Carlos Estermann’ 
Em ‘O APOSTOLADO’, n. 2162 - 3/11/1965
- ‘Um homem que soube servir a Igreja, a Ciência e Portugal’ 
Pelo A.F.S. In ‘O APOSTOLADO’, n. 2162 - 3/11/1965 
- ‘A vida de África reflectida na Europa’ 
Pelo Dr. Ávila de Azevedo em ‘O COMÉRCIO’ - 28/8/1964 
- ‘Apenas boatos?… Não !’ 
Por um Português de ‘O APOSTOLADO’, n. 1699 - 10/5/1961 
- ‘Padre Carlos Estermann merece lugar destacado entre os cientistas portugueses e franceses’ 
Por Mesquitela Lima 
- ‘P. Carlos Estermann e alguns aspectos da sua obra científica’ 
In ‘Diário da Manhã’ - 10/12/1964 
- ‘Quarenta Anos no Sul de Angola’ 
Por S. de C. Em ‘O APOSTOLADO’, n. 2075 - 30/12/1964 
- ‘Un missionnaire alsacien à l’honneur’ 
Por Pierre Kraft em o jornal ‘ALSACE’ 
- ‘P. Carlos Estermann dedica-se à Etnografia do sudoeste de Angola’ 
In ‘REVISTA DE ANGOLA’, n. 252 - 30/11/1971 

CÂMARA MUNICIPAL DE SÁ DA BANDEIRA 
Alguns extractos de actas das sessões 
De Julho, Agosto e Setembro de 1972 

EFEMÉRIDES 
Julho a Dezembro de 1972 
- Festas de Nossa Senhora do Monte 
Caderno de fotografias das festividades 


Preço: 97,50€; 

Angola - Cultura & Ultramar - ‘BOLETIM - CÂMARA MUNICIPAL DE LUANDA’ - Fevereiro 60 - Luanda 1960 - MUITO RARO;













Angola - Cultura & Ultramar - A divulgação diversificada das tarefas dos órgãos municipais que governavam a capital desta antiga província ultramarina portuguesa da África Ocidental 


‘BOLETIM - CÂMARA MUNICIPAL DE LUANDA’ - Fevereiro de 1960. 
Câmara Municipal de Luanda 
Edição da Repartição de Cultura e Turismo 
Luanda 1960 


Boletim com 48 páginas, muito ilustrado e em muito bom estado de conservação. Excelente. 
De muito difícil localização. 
MUITO RARO.



Do ÍNDICE: 

PÓRTICO 
LUANDA, CAPITAL DE ANGOLA 
CONSTITUIÇÃO DA CÂMARA MUNICIPAL DE LUANDA 
- Em 1955, 1956, 1957, 1958, 1959 e 1960 
ORGANIZAÇÃO DOS SERVIÇOS MUNICIPAIS 
PRINCIPAIS DECISÕES TOMADAS EM SESSÃO DA CÂMARA 
- Em 1958 e 1959 
BAIRROS POPULARES 
RELATÓRIO DO II CONGRESSO IBERO-AMERICANO DE MUNICÍPIOS 
“O PARQUE INFANTIL DO PARQUE HERÓIS DE CHAVES” 
PRINCIPAIS MANIFESTAÇÕES CULTURAIS DESPORTIVAS E RECREATIVAS 
- Realizadas ou particionadas pelo Município em 1958 e em 1959 
FESTAS DA CIDADE 
- Salão de poesia ilustrada 
- Corridas de Ofícios 
- Luanda vista pelas suas crianças 
- Exposição de flores 
- Luanda vista pelos seus artistas plásticos 
- Festival da Canção 
- Luanda vista pelos seus fotógrafos de arte 
- Concurso dos vestidos de Chita e Trajos de Família 
- Noite da Construção Civil 
- Noite do Folclore Angolano 
- Noite Desportiva 
- Luanda de ontem e de hoje 
- Noite Elegante 
- Concerto Coral Sinfónico 
PRINCIPAIS POSTURAS, REGULAMENTOS E EDITAIS 
- Publicados em 1958 e 1959 
NOVAS ARTÉRIAS E NOVOS EDIFÍCIOS 
BIBLIOTECA MUNICIPAL 
ESTUDO DO PLANO DE URBANIZAÇÃO DO ‘MUCEQUE BURITY’ 
- Informação do Excelentíssimo senhor Presidente 
- Estudo económico do Plano de Urbanização 
- Receitas a prever 
FUTURA URBANIZAÇÃO DO MUCEQUE PRENDA
- Arrendamento dos terrenos municipais do Muceque Prenda 
LUANDA - ‘MUCEQUE PRENDA’ - A CIDADE NOVA 
- Estudo do arquitecto urbanista sr. Faria da Costa 
- Elementos analíticos do apetrechamento urbano 
- Princípios gerais a ter em consideração na elaboração do plano de urbanização 
- Esquema do Zoneamento Habitacional 
- Os arruamentos e sua diferenciação 


Preço: 52,50€; 

segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

Estado Novo & História - ‘THE PORTUGAL OF SALAZAR’, by Michael Derrick - New York 1939 - MUITO RARO;






Estado Novo & História - Uma das primeiras obras, que deu a conhecer a nível internacional, o Professor da Universidade de Coimbra que os militares do 28 de Maio de 1926 confiaram as funções de governante de Portugal, após o caos em que se tornou a primeira república…


‘THE PORTUGAL OF SALAZAR’ 
By Michael Derrick 
Edition by CAMPION BOOKS, Ltd. 
New York 1939 


Livro de capas duras, sobrecapa, com 
De muito, muito difícil localização. 
MUITO, MUITO RARO.


SINOPSE: 
“Analisando a carreira e o caráter do popular chefe executivo português Antonio Salazar, este estudo exaustivo examina os argumentos socioeconômicos, políticos e religiosos que lhe renderam décadas de apoio de seu povo. 
Escrito em colaboração com o próprio líder influente, esta visão geral encapsula o cenário político e social da Europa nas décadas de 1920 e 1930 e explica como Salazar chegou ao poder, manteve boas relações internacionais e se tornou o ‘ditador relutante’ que foi central na reconstrução das finanças e da economia do estado português.” 



Do ÍNDICE: / CONTENTS: 

CHAPTER ONE 
I. - INTRODUCTORY 
II. - PORTUGAL 

CHAPTER TWO 
I. - The Record of the Republic 
II. - The Man from Nowhere 
III. - Salazar 

CHAPTER THREE 
- Principles and Practice of the Corporate 

CHAPTER FOUR 
- The Political Structure 

CHAPTER FIVE 
- Portugal is not ’Fascit’
- Notes to the Chapters 


Preço: 125,00€; 

Moçambique & Literatura - ‘CONTOS - LENDAS’, de António Carneiro Gonçalves - Lourenço Marques 1975 - MUITO RARO;




 


O irmão do autor: Sebastião Alba após uma caçada aos leões 


Moçambique & Literatura - Um obra editada postumamente, de um escritor que desapareceu tragicamente na flor da idade e de quem se esperava uma profícua produção literária e de quem o irmão, Sebastião Alba o descreve na Nota Introdutória 


‘CONTOS - LENDAS’ 
De António Carneiro Gonçalves 
Nota Introdutória de Sebastião Alba (Dinis Albano Carneiro Gonçalves) 
Edição da Académica L.da 
Colecção O Som e o Sentido 
Lourenço Marques 1975 


Livro com 98 páginas e em muito bom estado de conservação. Excelente. 
De muito difícil localização. 
MUITO RARO.


SINOPSE: 
“Carneiro Gonçalves - ‘CONTOS - LENDAS’ 
 
Este belíssimo texto tem oito brevíssimos parágrafos e é uma pungente e trágica história de amor. Kilomko encontrou Malidza, em certa madrugada, regressava ele dos seus combates. Diante do seu olhar, caiu-lhe a lança da sua mão invencível, pela primeira vez. Esperava desde então o fim das guerras para a desposar. Mas, um dia, o “nhamessoro” apareceu na aldeia para invocar o espírito das águas. No momento da dádiva, o mago poderia escolher a jovem que o impressionasse mais. Essa escolha recaiu sobre Malidza.
 
A lenda está no livro ‘CONTOS - LENDAS’ ou em antologias de contos moçambicanos. O seu autor: Carneiro Gonçalves.”

Nelson Saúte


O Autor: 
“ANTÓNIO CARNEIRO GONÇALVES, nascido a 21 de Junho de 1941, morreu a 20 Janeiro de 1974, faz hoje 50 anos, num inexplicável acidente de viação, aos 32 anos, deixando não apenas este texto, que iria integrar o livro póstumo ‘CONTOS - LENDAS’, editado pela mão do poeta Sebastião Alba (pseudónimo de Dinis Albano Carneiro Gonçalves), seu irmão, mas também contos que dariam para um outro livro e um romance escrito e reescrito. Era jornalista, deveria integrar, naquele ano, a redacção do semanário ‘EXPRESSO’, em Lisboa, viajava para a então Lourenço Marques, hoje Maputo, onde iria apanhar o avião para Lisboa, ia também no carro o poeta Julius Kazembe.
 
O prefácio do livro é um dilacerado elogio de irmão para irmão. Escreve Sebastião Alba: 
“Na noite de 20 de Janeiro de 1974, meu irmão ia ao volante, ao largo das estrelas. Seu companheiro de viagem ter-lhe-ia dito: “Carneiro Gonçalves, olha que noite!”; e o carro em que seguia despistava-se a vinte quilómetros de Vilanculos; ele morreria hora e meia depois, no posto sanitário dum areal nocturno. Tinha trinta e dois anos e – rigorosamente – o que sonhou. A mim, apenas quinze meses mais velho do que ele, fora destinado o definitivo infortúnio de escrever estas linhas.”
 
O texto de Alba é escrito vinte dias depois da tragédia e é o prólogo do livro que ele organizou. Traz duas lendas, entre as quais ‘Malidza’, contos e o fragmento de uma novela. Um ano antes, na revista ‘TEMPO’, no suplemento literário dirigido por Rui Knopfli, que o entrevistara, o autor de ‘CONTOS - LENDAS’ deixaria a sua biografia sintética e magistralmente grafada: “Tenho trinta e um anos, vi a luz do dia em Braga, mas nasci em Tete. Faço questão de conhecer o Zambeze. Com os contos que tenho poderia pelo menos publicar dois livros. Lá virá o dia. Ensaiei um romance que reescrevi já algumas vezes. Ontem mesmo ia na primeira página...”
 
‘Malidza’ é um dos textos da minha mitologia literária. Acompanha-me desde o secundário. Nele fui sufragar o seu riquíssimo vocabulário, as expressões linguísticas, as metáforas. Um único parágrafo daria para discussão de uma aula inteira. O dicionário para encontrar o significado das palavras. O exercício da sinonímia. A riqueza vocabular, a riqueza semântica, a expressiva capacidade de contar, em pouco mais de três páginas, uma belíssima história seriam, para mim, uma grande lição de escrita.

Aprendi ainda, com este texto, que a narrativa ou a prosa não eram expressões despidas de poesia. Antes pelo contrário. A bela prosa era também a expressão cabal de boa poesia. O ritmo das frases. As suas metáforas. As suas imagens. O seu encadeamento. As suas invocações. A escolha das palavras. As palavras certas na frase. As palavras escolhidas com desvelo. As palavras ditas com enlevo. As palavras escritas com inequívoca beleza. A musicalidade das palavras.
 
Em 2005, foi publicado em Portugal o volume ‘A Escrita de Anton’, de Carneiro Gonçalves (organização e estudo introdutório de Calane da Silva e notas biobliográficas de António Sopa), que recolhe os textos que haviam sido dados à estampa na recolha ‘CONTOS - LENDAS’. Acrescenta-se-lhe uma lenda pelo menos, alguns contos, crónicas e um punhado de textos puramente jornalísticos. Li o longo texto do Calane da Silva, polvilhado de muita informação, que ajudam a compor o perfil deste escritor desaparecido precocemente. Chamavam-no os mais próximos de Anton, o nome do seu primeiro contista predileto, Anton Tchekov.
 
Rui Knopfli num texto remoto dizia-nos: “Carneiro Gonçalves comete às letras moçambicanas o ânimo e a frescura do seu discurso lesto e elegante, de um rigor que não pactua com fáceis efeitos de embelezamento, antes se cinge aos calculados riscos de uma disciplina que é, simultaneamente, a da cultura e a de uma ática simplicidade. (...) Razão, talvez, por que a sua prosa desencadeia em nós a fragrância de um vinho novo e generoso, acidulado e nobre.”
 
Sebastião Alba aduziria na sua lancinante evocação: “Meu irmão caminhava em sombra; caminharia sem se voltar até ao fim das nossas vidas. E, afinal, era o que a todos nos restava dele. Não estou certo de que tenha feito uma boa escolha, pois de quase nada estou seguro. Como sucede com muitos de nós, ele acreditava que aquilo a que se chama a visão de um artista é a sua primeira imagem poética do mundo, essa que ao longo da vida se busca fixar num fundo de luz permanente. Vinte dias após a morte dele, não posso ainda impedir-me de esbarrar no que se me afigura uma evidência pavorosa: a obra desde já irrealizável e a que, algum dia, lograsse acabar, tiveram para ele um mesmo e último sentido.”

Carneiro Gonçalves tinha uma estranha predileção pela lua. A lua ou o luar são títulos de seus contos ou escritos, atravessam as suas histórias. Naquela noite de 20 de Janeiro de 1974, ele ia ao volante e terá dito o seu companheiro de viagem: “Olha que noite! Que luar tão lindo!”. Carneiro Gonçalves, ao que parece, fascinado com o luar, despistou-se entregue a essa visão sublime que o prendeu ali para sempre.
 
No texto de Alba, redigido próximo da morte do irmão, não aparece a referência ao luar: “Que luar tão lindo!” Calane da Silva acrescenta-lhe essa frase e diz que a confirmou de um amigo indefectível de Carneiro Gonçalves, João Schwalbach. Sou amigo, há mais de trinta anos, do Julius Kazembe. Sei que ele ia com o Carneiro Gonçalves naquela noite, falámos eventualmente de Carneiro Gonçalves, mas sempre evitei abordar a história e os pormenores de um dos trágicos acidentes que marcam a história literária de Moçambique. Hoje, para além de ‘Malidza’, que recitei ao largo desta noite de lua envolta numa perseverante neblina, voltei a pensar no meu amigo Julius Kazembe e no trágico destino do Carneiro Gonçalves. Um dos melhores entre nós. Passam 50 anos sobre a sua morte e uma nuvem espessa de desmemória e deslembrança cobre-lhe o nome e a obra. O que, de todo, não é estranho entre nós, onde avulta o olvido e a omissão, o descaso e o desapreço.”
 
Nelson Saúte - Cidade do Cabo, 20 de Janeiro de 2024



Do ÍNDICE: 

Nota Introdutória 
Fevereiro de 74 

DUAS LENDAS 
- A Gruta de Cantaia 
- Malidza 

CONTOS 
- A Guerra dos Cem Anos 
- A Lua do Advogado 
- A Mulher do Escritor 
- Noite Oceânica 
- O Remo 
- A Patrulha 

FRAGMENTOS DE UMA NOVELA INCONCLUÍDA 


Preço: 47,50€;