sábado, 23 de abril de 2022

Angola - CALENDÁRIO DE 1972 - Edição do CITA - Luanda 1972 - MUITO RARO;







 








Angola - Uma edição do CITA (Centro de Informação e Turismo de Angola) com informações sobre esta antiga província ultramarina portuguesa e imagens das cidades, populações, tradições e das paisagens 


CALENDÁRIO DE 1972 
Edição do CITA 
Luanda 1972 


Artigo original e sem qualquer uso, em muito bom estado de conservação. Excelente. 
De muito difícil localização. 
MUITO RARO.



CALENDÁRIO 1972 
Janeiro      - Morro da Cela 
Fevereiro  - Palanca preta gigante 
Março       - Motonática na baía de Luanda 
Abril         - Igreja de N. S. da Conceição, Novo Redondo 
Maio         - Uma autoridade tradicional 
Junho        - Uma rua da cidade de Carmona 
Julho         - Artesanato 
Agosto      - Pesca desportiva na barra do Cuanza 
Setembro  - Rebita 
Outubro    - Cais do minério, Moçâmedes 
Novembro - Marcado nativo 
Dezembro - Mármores de Moçâmedes 
Informações - Nativa muíla 


Preço: 47,50€; 

Angola & Literatura - ‘POESIA’, de Agostinho Neto - Luanda 1998 - MUITO RARO;




 Angola & Literatura - A obra poética completa do líder carismático do MPLA e que foi o primeiro presidente após a independência a 11 de Novembro de 1975 


POESIA’ 
De Agostinho Neto 
Edição INALD 
Colecção KILAMBA 
Luanda 1998 


Livro de capas duras, com 130 páginas e em muito bom estado de conservação. Novo. Excelente. 
De muito difícil localização. 
MUITO RARO.


Da contracapa: 
“ ‘POESIA’ de Agostinho Neto é uma reunião da sua poesia toda, inédita e publicada em ‘Sagrada Esperança’ e ‘Renúncia Impossível’. A ideia de publicar num só volume todos os poemas visa restaurar a unidade da obra poética de Agostinho Neto para devolver-lhe a sua inteireza e grandeza. 

O autor é um poeta singular. Por ser um angolano universal. Um dos raríssimos com obra poética, primeiro, é uma obra política: a libertação e a independência de Angola. Agostinho Neto é o único poeta em África que libertou um país. Nasceu em Caxikane. Estudou em Luanda, em Lisboa e em Coimbra. 

Ajudou a dar angolanidade e nobreza à poesia. Casou em Lisboa com uma portuguesa. Viveu a lutar nas matas e noutras paragens (algumas por mapear) e estava sempre em viagem para qualquer lado. Liderou a luta de libertação em Angola por Angola, cheio de ideias e com convicções. Bateu-se de corpo inteiro em todas as pelejas. Coerente consigo mesmo e com os seus poemas, presidiu a república para fazer uma nação plural de mulheres e homens, e não uma ficção celestial. Mas faleceu em Moscovo, traído pelo cancro. 

Um homem assim só podia mesmo ser o visionário culto e brilhante que quase escreveu o programa da sua luta e da sua vida nos seus poemas. Com a agilidade emocional, a fé nos seres humanos, o perfume das interrogações, o olhar para além do quotidiano e a mestria de uma inteligência sensível, que distinguem a sua poesia da dos seus contemporâneos. 

‘POESIA’ é o perfil poético de um homem como todos os outros. Com defeitos e virtudes. Com um percurso de luta. E com uma certeza: a sagrada esperança permanente de poder ser e viver sempre melhor. 

A palavra e o gesto de Agostinho Neto andaram muitas vezes à frente dos acontecimentos. Porque até à sua vida era feita de poesia. Uma pessoa fiel à vida e crente no amor. A sua poesia foi uma profecia e um anseio de conhecer o futuro; hoje, é uma realidade e uma verdade da vida. 

Daqui a 2 anos todos seremos do século passado. Haja o que houver, Agostinho Neto será também do próximo milénio porque o futuro de Angola começou ontem com a sua poesia, escrita quando os dias em Angola eram à noite...

Com ‘POESIA’ descubra os sonhos que Agostinho Neto lançou na alma angolana e dobre também o cabo da maturidade poética. 

Agostinho Neto está além do silêncio.“ 
São Vicente 


O AUTOR: 
“ANTÓNIO AGOSTINHO NETO 

Nasce a 17 de Setembro de 1922 em Caxicane, no concelho de Icolo e Bengo, em Luanda. 

Forma-se em Medicina pela Faculdade de Medicina de Lisboa, em 1958. 

Integra-se nas actividades sociais, políticas e culturais da Casa dos Estudantes do Império, colabora em revistas como o ‘Meridiano’, a ‘Mensagem’ e funda a revista ‘Momento’ com Lúcio Lara e Orlando Albuquerque. 

Sofre a prisão por diversas vezes, sendo a primeira em Lisboa, em 1951, aquando da recolha de assinaturas para a Conferência Mundial de Paz de Estocolmo. 

Regressa a Luanda em 1959 onde abre o seu consultório médico e passa a chefiar o MPLA. Após nova prisão, è deportado para Cabo Verde e depois transferido para Lisboa. 

Evade-se de Portugal em 1962 com a família. É eleito presidente do MPLA nesse mesmo ano em Léopoldville, no Congo. 

Lidera a luta de libertação nacional em Angola que culmina na independência a 11 de Novembro de 1975. 

É proclamado presidente da República Popular de Angola. 

De 1975 a 1979 empenha-se na defesa do território angolano contra a invasão dos exércitos estrangeiros, inicia o período de reconstrução nacional dando particular ênfase à criação dos órgãos do poder popular, transforma o MPLA em partido e contribui de forma decisiva para uma nova geopolítica regional. 

A 10 de Dezembro de 1979 falece em Moscovo, vítima de cancro.“ 



Do ÍNDICE: 

PREFÁCIO 
Por Irene Alexandra Neto 

LIVRO I 
SAGRADA ESPERANÇA 
- Adeus à hora da largada 
- Partida para o contrato 
- Sábado nos musseques 
- Caminho do mato 
- Crueldade 
- Comboio africano 
- Quitandeira 
- Velho negro 
- Meia noite na quitanda 
- Para além da Poesia 
- Noite 
- Civilização ocidental 
- Desfile de sombras 
- Sombras 
- Sinfonia 
- Contratados 
- Confiança 
- Aspiração 
- Não me peças sorrisos 
- Saudação 
- Kinaxixi 
- Consciencialização 
- Um aniversário 
- Pausa 
- Mussunda amigo 
- O caminho das estrelas 
- À reconquista 
- Sangrantes e germinantes 
- Na pelo do tambor 
- Massacre de S. Tomé 
- As terras sentidas 
- Bamako 
- Criar 
- Fogo e ritmo 
- Mãos esculturais 
- Poema 
- O verde das palmeiras da minha mocidade 
- Um bouquet de rosas para ti 
- Para enfeitar os teus cabelos 
- Dois anos de distância 
- Assim clamava esgotado 
- Noites de cárcere 
- Aqui no cárcere 
- O choro de África 
- O içar da bandeira 
- Depressa 
- Luta 
- Campos verdes 
- Havemos de voltar 
- Desterro 
- A voz igual 

LIVRO II 
RENÚNCIA IMPOSSÍVEL 
- Ópio 
- Eu-Mistério 
- Anestesia 
- Explicação 
- Voz de sangue 
- Passei a vida... 
- Sinto na minha voz 
- Novo rumo 
- Poema para todos 
- Antigamente era 
- Kalumba 
- Noite escura 
- A tua mão poeta 
- Vendedeira de ananases 
- Circunstância 
- Nas curtas horas 
- Com os olhos secos 
- A renúncia impossível 

LIVRO III 
AMANHECER 
- Amanhecer 
- Docemente 
- Paredes velhas 
- Boogie-Woogie 
- Bailarino  
- Himenagem a Joaquim Forte de Faria 
- Sobre o sangue ainda quente do meu irmão 


Preço: 72,50€; 

sexta-feira, 22 de abril de 2022

Descolonização - 'ANGOLA RUMO À INDEPENDÊNCIA - O GOVERNO DE TRANSIÇÃO (Documentos e personalidades)' de Carmo Vaz e Valdemar Adaixo (dir.) - Luanda 1975 - MUITO RARO;










Angola & Descolonização - As personalidades e os documentos da independência com a tomada de posse do Governo de Transição, previsto no ‘Acordo do Alvor’ e composto por Portugal e representantes da FNLA, MPLA e UNITA 


'ANGOLA RUMO À INDEPENDÊNCIA - O GOVERNO DE TRANSIÇÃO (Documentos e personalidades)'
Direcção de Carmo Vaz e Valdemar Adaixo
Ministério da Informação de Angola
Luanda, 1975


Livro com 212 páginas, muito ilustrado e em muito bom estado de conservação. Excelente. 
De muito, muito  difícil localização.
MUITO, MUITO RARO. 


Trata-se de um dos mais importantes livros/documentos sobre a transição do estatuto de província ultramarina para país independente, na sequência do acordado no Alvor em Janeiro de 1975, entre Portugal e os três movimentos de libertação angolanos: FNLA, MPLA e UNITA.



O GOVERNO DE TRANSIÇÃO: 
O Governo de Transição de Angola tomou posse há precisamente 40 anos, a 31 de Janeiro de 1975, no Palácio do Governador, em Luanda e numa cerimónia presidida por Almeida Santos, ministro da Coordenação Inter-Territorial. 

Os 12 ministérios foram distribuídos, igualmente, pelo Governo Português e pelos três movimentos de Libertação.

MPLA: 
Manuel Rui (Informação),  Saidy Mingas (Planeamento e Finanças) e Diógenes Boavida (Justiça). Secretários de Estado: Augusto Lopes Teixeira (Indústria e Energia), Conélio Kaley (Trabalho) e Henrique Santos (Interior). Colégio Presidencial: Lopo do Nascimento. 
FNLA: 
Ministros Kabaneu Sauhde (Interior), Samuel Abrigada (Assuntos Sociais) e Mateus Neto (Agricultura). Secretários de Estado: Graça Tavares (Comércio), Hendrick Vaal-Neto (Informação) e Baptista Nguvulu (Trabalho). Colégio Presidencial: Johnny Eduardo. 
UNITA: 
Ministros EduardoWanga (Educação), Augusto Dembo (Trabalho) e Jeremias Chitunda (Recursos Naturais). Secretários de Estado: Jaka Jamba (Informação) e João Waiken (Interior). Colégio Presidencial: José N´Dele. 

Portugal estava representado pelo Alto Comissário Silva Cardoso e pelos ministros Vasco Vieira de Almeida (Economia), Alfredo Resende Oliveira (Obras Públicas) e Antunes Cunha (Comunicações e Transportes).



Assim, destaque para os seguintes documentos e secções:

1. PROTOCOLOS PRÉVIOS DE KINSHASA E LUSO - texto do comunicado conjunto UNITA-FNLA;
Comunicado comum entre o MPLA e a UNITA;
2. O ACORDO DE MONBAÇA - Acordo entre o MPLA e a FNLA;
Declaração comum de princípios dos três movimentos;
Comunicado conjunto final;
Palavras de Jomo Keniatta;
3. A CIMEIRA DO ALVOR - As delegações que participaram na cimeira;
PORTUGAL - Composição e fotografias;
FNLA - Composição e fotografias;
MPLA - Composição e fotografias;
UNITA - Composição e fotografias;
Declaração do primeiro-ministro português sobre o Acordo do Alvor;
O ACORDO DO ALVOR - Texto integral em português, inglês e francês;
Discurso proferido no encerramento da cimeira de Alvor pelo Presidente do MPLA, Dr. Agostinho Neto;
4. O GOVERNO DE TRANSIÇÃO - Discurso do ministro Almeida Santos na tomada de posse do Alto-Comissário português;
Termos de posse dos membros do governo de transição;
Discruso do Alto-Comissário português na tomada de posse do governo de transição;
Discurso do representante da FNLA, Dr. Johnny Eduardo;
Mensagem do Ministro da Informação, Dr. Manuel Rui Monteiro, ao povo angolano;
Biografias dos presidentes dos movimentos de libertação:
- Holden Roberto;
- Agostinho Neto;
- Jonas Savimbi;
Organigrama do governo de transição;
5. O GOVERNO DE TRANSIÇÃO - Personalidades que o integram;
Biografias e fotografias de todos os ministros;
Comissão Nacional de Defesa;
Biografias e fotografias de todos os membros.

O livro é predominantemente em português, tendo resumos em inglês e francês.


Preço: €77,50€; 

Angola & Guerra Colonial - Revista do EXPRESSO, n. 1536 (6.04.2002) - (‘O exército português e Savimbi: HISTÓRIAS DA CAÇA AO HOMEM’) - Lisboa 2002 - MUITO RARO;






 
















Angola & Guerra Colonial - Uma reportagem histórica sobre a perseguição efectuada pelo exército português ao fundador e líder da UNITA, Jonas Savimbi, com informações e pormenores de um dos oficiais lusos que participaram nessas acções... 


Revista do EXPRESSO, n. 1536 - de 6 de Abril de 2002.
‘O exército português e Savimbi: HISTÓRIAS DA CAÇA AO HOMEM’ 
Na altura em que o governo angolano e a UNITA assinam um cessar-fogo, dois oficiais do exército português relembram a caça ao homem que moveram a Jonas Savimbi nos tempos da guerra colonial. Texto de Felícia Cabrita 
Lisboa 2002 


Revista com 106 páginas, muito ilustrado e em muito bom estado de conservação. Novo. Excelente. 
De muito difícil localização. 
MUITO RARO.


Temas em destaque: 
O exército português e Savimbi: 
- ‘HISTÓRIAS DA CAÇA AO HOMEM’ 
Texto de Felícia Cabrita 
No momento solene em que MPLA e UNITA assinaram, esta semana, mais um cessar-fogo, os homens do Galo Negro terão recordado que bastou a morte de um homem - o seu líder, Jonas Savimbi, abatido há pouco mais de um mês no Luena - para fechar tréguas. Dois militares portugueses, o general Alípio Tomé Pinto e o brigadeiro Fernando Passos Ramos, relembram as operações em que tomaram parte durante a guerra colonial para eliminar o guerrilheiro que durante 36 anos conseguiu escapar de operações, montadas por diferentes inimigos. 

No início, com material bélico rudimentar, improvisa. Quando monta uma emboscada, o guerrilheiro colocado à frente fica amarrado a mais dois, 20 metros atrás. Se o primeiro tomba, a arma é salva pela corda. E as primeiras granadas eram feitas com laranjas.

“Vi que era um jogador que estava sempre a fazer ‘bluff’, tinha uma personalidade enganosa, era muito ambicioso, queria poder. Por isso, quando ele pediu armamento, todo o cuidado era pouco. Até mercávamos as balas, para ver se as não usava contra nós.” 

SAVIMBI 
- ‘E A RAZÃO DE ESTADO DO OCIDENTE’, por Jaime Nogueira Pinto 
Pelos relatos de amigos e inimigos, de colaboradores, de seguidores, entre Lisboa, Paris, Washington e Luanda, pude reconstituir as últimas semanas de Jonas Savimbi: nos princípios de Janeiro falou para alguns dos seus representantes no exterior, deu-lhes conselhos, enviou-lhes mensagens sobre as razões históricas da sua luta; como se pressentisse que o fim estava próximo e quisesse explicar-se, deixar o seu ‘testamento político’. 
- Os dias do fim 
- A boa guerra (fria) 
“Savimbi tornara-se uma lenda viva desde os tempos iniciais do GRAE (Governo Revolucionário de Angola no Exílio), fundação da primeira UNITA, com o seu quê de maoista e da nação ovimbundu até aos nos 80, quando alinhava milhares de homens armados, equipado e disciplinados.”
- Paz e sombras 
“Na equação militar de Angola, a problemática da UNITA é a mesma dos confederados da guerra civil americana ou uma vitória rápida numa guerra relâmpago ou, no médio e longo prazos, as massas críticas passam a estar na área controlada pelo governo.” 
- Erros militares 
- ‘UMA PERSONAGEM RENASCENTISTA’ 

João Amaral 
- ‘O PRÍNCIPE COMUNISTA’, texto de José Manuel Saraiva 
Reportagem e entrevista com 9 páginas e muito ilustrada 

Universidade Moderna
- ‘A VERDADEIRA HISTÓRIA DE JB (José Braga Gonçalves)’
Texto de Ana Paula Azevedo 

Em Ovar 
- ‘UM CINE-TEATRO A PRESERVAR’, texto de José Manuel Fernandes 


Preço: 57,50€; 

Portugal & Angola - Descolonização & PREC - Revista do ‘DIÁRIO DE NOTÍCIAS’, n. 165, de 29.01.2000 - (ROSA COUTINHO - ‘INOCENTE OU CULPADO?’) - Lisboa 2000 - MUITO RARO;


















Angola - Descolonização & PREC - Uma grande entrevista de Rosa Coutinho com 8 páginas onde o Almirante fala da sua prisão em 1961 pelos militares zairenses (e não pela FNLA), da descolonização enquanto Alto Comissário Português e do PREC 


Revista do ‘DIÁRIO DE NOTÍCIAS’, n. 165, de 29 de Janeiro de 2000. 
ROSA COUTINHO - ‘INOCENTE OU CULPADO?’ 
‘Rosa Coutinho foi uma das imagens de marca do ano de brasa da revolução. 
Despertou ódios e paixões. É herói para uns, criminoso para outros.
25 anos depois desses dias quentes de 1975, ele acrescenta dados à história e fala sem meias medidas, como sempre.’
Lisboa 2000 


Revista com 76 páginas, muito ilustrada e em muito bom estado de conservação. Excelente. 
De muito, muito difícil localização. 
MUITO, MUITO RARO.


A ENTREVISTA: o entrevistado e a entrevistadora: 
“Se há uma figura que, 25 anos depois do Verão Quente de 1975, ainda inspira ódios e paixões, o Almirante Rosa Coutinho é seguramente alvo privilegiado desse sentimentos. Aquele que seria um ‘herói’ da revolução tornou-se, conforme as visões, um bode expiatório, um louco, um incompreendido, um criminoso. Em qualquer dos casos, Rosa Coutinho é sempre uma imagem é uma reacção. 

Mas, por incrível que pareça, aos 73 anos o homem ainda não disse tudo - e esta semana, na longa entrevista que publicamos, prova que há histórias por contar, História por fazer, e versões contraditórias dos mesmos episódios que marcaram Portugal nas últimas décadas. 

A entrevista só podia ter sido feita por Teresa Maia e Carmo. Ela foi uma das muitas que viveu em Angola e a Portugal retornou. Tem da descolonização uma ideia vivida e clara - que lhe permitiram manter um diálogo vivo com o Almirante sem procurar manipular ou extravasar a função de entrevistadora. É pouco comum conseguir esse equilíbrio que nos leva a acrescentar ao trabalho o tom da nossa vivência sem com isso mudar o protagonismo ou manipular as ideias dos outros. 

O resultado da entrevista é obviamente polémico, como o próprio Rosa Coutinho. Mas é um dado a acrescentar aos muitos que o futuro se encarregará de estudar. Neste ano 2000, vinte e cinco anos depois do ano de brasa de 75, as palavras do Almirante podem ser um pontapé de partida para a discussão. Que se advinha dura…” 



Tema em destaque: 
- ROSA COUTINHO - ‘INOCENTE OU CULPADO?’
Entrevista de Teresa Maia e Carmo 
‘Aos 73 anos o Almirante vermelho revela mais um bocado dos anos de brasa que trouxeram a revolução ao país e o tremendo fim de um sonho a meio milhão de residentes nas colónias. Com um largo sorriso e sem meias palavras. Como sempre.’ 
- “Rio para não estar triste. Tenho algum sentido e humor. E um lema: se alguém tem de se chatear, que se chateiem os outros.”
- “O MFA era uma espécie de guarda chuva que permitia à revolução desenvolver-se sem ser ameaçada. Não era o motor da revolução, como alguém disse. Chegou-se a alvitrar, e não fui eu, que o MFA concorresse às eleições.” 
- “Hoje vivo da reforma. Vou vivendo alegremente. Ando bem disposto. Olhando para o correr do mundo e matutando, mas também sem desanimar.” 
- “O exército português facilitou a implantação da UNITA e a sua existência. Porque o movimento nem armas tinha. Foi o exército português, a PIDE, os madeireiros, e alguns sectores da Igreja.” 
- “O que senti quando morreu Spínola? Que já lá devia estar. Não fazia cá nada. Para mim, o maior herói do 25 de Abril é o Salgueiro Maia. Era um grande homem, foi um herói.” 
- “A democracia está em crise na Europa. Veja o que se está  passar com o Kholl na Alemanha. Eu não sou um especial defensor de Kholl, mas respeito o homem! Claro que ele terá feito os seus pecadilhos, mas está chacina pública é inadmissível.” 



ALGUNS DOS ASSUNTOS MAIS POLÉMICOS: 
O senhor sempre apoiou abertamente do MPLA…
- “Não. Não é verdade. Eu quando fui para Angola nem conhecia o MPLA. 
Não acha de uma irresponsabilidade política brutal, mandar uma pessoa que não conhecia o que se passava em Angola para ir gerir a transição?
- “Pois é. Mas a ideia não foi minha, foi do Spínola, eu não pude foi recusar!”

Mas queria que os brancos viessem embora? 
- “Eu não, porque eram gentes de Angola.” 
Não sente quaisquer responsabilidades por aquela debandada aflitiva? 
- “Não, por disse que para ficarem os brancos em Angola era preciso ter feito um acordo com o MPLA. E Agostinho Neto estava de acordo.” 
Só com o MPLA, porquê? 
- “Porque no meio de uma guerra civil era impossível que os brancos lá ficassem.”

É verdade que o senhor sai no dia em que permite que os movimentos entrem, os três, em Luanda?
- “Não, totalmente falso! Eles entraram em Novembro de 74, autorizados por mim. Só se pegaram à batatada em Junho de 75. Há aqui bases de apreciação que estão totalmente falseadas. Eu autorizei a entrada depois de conseguir o cessar-fogo. Já agora, uma história que tem a sua piada: Quando o Spínola fez aqui a sua renúncia, em 28 de Setembro, eu recebi uns dias depois um comunicado do Mobutu perguntando se os Acordos do Sal continuavam em vigor. E eu desconhecia o seu conteúdo…”  
O que lhe respondeu? 
-“Disse: Em princípio sim, mas vou mandar uma delegação para se confirmar o acordo de cessar-fogo. E foi uma delegação, nomeada por Costa Gomes, com o Fontes Pereira de Melo e um membro da Junta, o Comodoro Cardoso, que foram ao Zaire e vieram de lá com o acordo de cessar-fogo com a FNLA. Porque eu com o MPLA não conseguia, apesar das grandes intimidades que me atribuem. O MPLA estava muito dividido.”
Com a UNITA (o cessar-fogo), foi fácil?
- “Foi facílimo, porque já estava. A UNITA assinou o cessar-fogo antes de eu lá ter chegado. 
O que pensa de homens como Agostinho Neto e Jonas Savimbi, já agora? 
- “O Savimbi é tipicamente um soba africano, sem qualquer preocupação com a palavra dada no dia anterior. Prepotente e disciplinados, à custa das mortes que forem precisas e… muito mais racista do que o MPLA. O MPLA era o único que não era racista e era intertribal, mulato. Agostinho Neto estava já ultrapassado. Mas era um homem sério.”  
Mas privilegiou ou não o MPLA? 
- “Enquanto lá estive, privilegiei… pouco. Diz uma coisa, já como Alto Comissário: atribuir a cada movimento um subsídio do Estado: 10,000 contos/mês, o que na época era muito dinheiro.”  
Mas assim armava-os?!…
- “Não… ele não tinham dinheiro para comer! Apesar de a UNITA e a FNLA terem as suas fontes de capital… O MPLA nem tinha dinheiro para comprar arroz, portanto foi uma medida que o favoreceu, embora tenha sido feita equilibradamente.”  
Hoje, se voltasse a ter a mesma posição, o que teria feito de diferente?
- “Não sei. Como lhe disse fui derrotado quando me opus à ponte aérea. A ponte aérea serviu para desestabilizar a revolução portuguesa. Basta ver a quantidade de pessoas que vieram para o território dar força à contra-revolução.” 

Acredita que o Estado Português alguma vez tentou cumprir os Acordos do Alvor? 
- “O Estado Português sim. Os movimentos de libertação não.” 


Preço: 97,50€;