Portugal & Literatura - Uma obra marcante na literatura portuguesa da autoria de um escritor comprometido com a denúncia das condições de trabalho na zona da Lezíria e que foi perseguido pelo regime do Estado Novo, está edição tem também a particularidade de ter a capa e as ilustrações da autoria de Álvaro Cunhal, o mítico secretário-geral do P.C.P. (Partido Comunista Português)
‘ESTEIROS’ (3.a Edição)
De Soeiro Pereira Gomes
Capa e ilustrações de Álvaro Cunhal
Edição Editorial Gleba, L.da
Lisboa 1946
Livro com 300 páginas, ilustrado e em muito bom estado de conservação. Excelente.
Exemplar com as páginas ‘por abrir’.
De muito difícil localização.
MUITO RARO.
“ESTEIROS. Minúsculos canais, como dedos
de mão espalmada, abertos na margem do
Tejo. Dedos das mãos avaras dos telhais,
que roubam nateiro às águas e vigores à
malta. Mãos de lama que só o rio afaga.“
“ ‘ESTEIROS’, de Soeiro Pereira Gomes.
Com capa e ilustrações de Álvaro Cunhal, este romance foi autorizado a circular, em 1942, após leitura pelo próprio diretor dos Serviços de Censura. Novamente avaliado por outro burocrata, em 1966, este último foi da opinião que devia ter sido proibido, mas para que uma proibição tardia não chamasse mais atenção, ela de facto só veio a acontecer quase trinta anos depois, e apenas na então chamada ‘Província’ de Angola.”
Da badana:
“Pereira Gomes foi buscar aos esteiros ‘minúsculos canais, como dedos espalhados, abertos na margem do Rejo’, os heróis da sua obra, garotos que , sem nunca terem sido meninos, lutam pela vida, ao deus-dará, umas vezes trabalhando, outras pedindo, outras ainda roubando…
Romance neo-realista, perpassa nas suas páginas uma grande ternura por estes deserdados da sorte, sem um lar onde se acoitem nas frias noites invernais, mas em cuja alma, simples e humilde, florescem por vezes os mais nobres sentimentos.
Há neste livro cenas magistralmente descritas, como a cheia dramática do Tejo, o roubo das laranjas, o duro trabalho nos telhais, o encontro com a doida, a ida ao cinema, qualquer delas bastando para valorizar uma obra e indicar-nos o seu autor como um dos mais brilhantes espíritos entre os modernos escritores portugueses.“
A Obra e o Autor:
“Soeiro editou o seu primeiro romance, ‘Esteiros’, com capa e desenhos de Álvaro Cunhal, em 1941, nas Edições Sirius, de Lisboa, então dirigida por Alexandre Babo. O livro foi acolhido com excelentes referências não apenas pelas publicações ligadas ao movimento neo-realista, mas também pela crítica literária em geral.
Em 1935 ou 1936, ‘O Diabo’ (que publicaria mais tarde outros textos, entre crónica e narrativa) viu o conto ‘O Capataz’ (plausivelmente a primeira incursão literária de Soeiro) cortado integralmente pela Censura. Alguns escritos surgem ainda na ‘República’ e n'O Castanheirense’ nos primeiros anos de 40 e admite-se que o seu segundo romance, ‘Engrenagem’, tenha sido iniciado em 1942, recomeçado em 1943 e concluído no ano seguinte.
Por força da perseguição da polícia política salazarista, claramente ciente da importância do escritor na organização e intervenção política do Partido Comunista Português na região - Alhandra, Vila Franca, Baixo Ribatejo - onde vivia e tinha o seu emprego (na fábrica de cimentos Tejo), Soeiro Pereira Gomes passou à clandestinidade a 14 de Maio de 1944, apesar de poucos dias depois a PIDE prender sua mulher, Manuela Câncio Reis, tentando coagi-lo a entregar-se. Na clandestinidade, a par das tarefas requeridas pelo trabalho revolucionário, Soeiro manteve o seu empenho na escrita em duas direcções: textos ligados à acção partidária (onde se destaca o histórico artigo, n'O Militante’ clandestino de Agosto de 1946, Praça de Jorna) e pequenos contos relacionados com a luta clandestina e a gesta dos seus protagonistas.”
Do ÍNDICE
Dedicatória
OUTONO
INVERNO
PRIMAVERA
VERÃO
Preço: 62,50€;


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