‘MORTO POR TE VER’
Cartas de um soldado à namorada (Angola, 1967 - 1969)
De Cesário Costa
Edições Afrontamento
Porto 2007
Livro com 248 páginas, muito ilustrado e em muito bom estado de conservação. Novo. Excelente.
De muito difícil localização.
MUITO RARO.
Da badana:
“Na Terceira gastei solas para ver e beber com os olhos tudo quanto podia. Mas não era ali que queria estar. Sentia-me como se estivesse de passagem numa cidade de Angola, ao encontro de novo Quartel, onde fosse terminar a Comissão. Eram meus amigos mas queria ir para casa (ou para o Quartel), para acabar com tudo o mais rápido possível. Ainda era deles. Os passos que dava eram também militares. Não sei o que estava a fazer naquelas ilhas. O clima não era Europeu nem Africano. A sensação, estranha e aflitiva.
À excepção de alguns continentais que se cruzaram comigo numa ou noutra rua, ‘Cifra ! Ainda aqui andas ?’, não vi mais ninguém (apenas o Carmo, que veio ao meu encontro, na hora de partir para o Continente). E os outros ? Desapareceram, num ápice, sem se despedirem de ninguém sem que ninguém pudesse despedir-se deles. Para onde foram os 130 e tal homens que comigo estiveram em Angola e regressaram ? O único que veio mais cedo, numa caixa de pinho, morreu lá, como poderia ter morrido cá, de doença cancerígena. Desde o início, no M’Pozo, que se queixava de fortes dores num joelho e não queria ir para o mato, em patrulhas. Até o apelidaram de ‘manhoso’, julgando que era tudo fita. Evacuaram-no para Luanda e amputaram-lhe a perna. Não sobreviveu.
Nem os que eram dali, da ilha terceira, se vislumbravam. Não olharam para trás, fugiram antes que ouvissem algum ‘toque a reunir’ e tivessem que enfileirar novamente, para cumprir outra Comissão. Foi como se tivessem sumido. E o Povo não esteve a aplaudi-los na chegada. Cada um recolheu a casa, a tratar das feridas provocadas pela ausência e das cartas-de-chamada para ir trabalhar para as Américas. O inimigo estava mais camuflado nos gabinetes do que os ‘turras’ no mato. Não esperaram por louvores ou medalhas. Foram às suas vidas sem deixar rasto. Mais tarde, a pouco e pouco, fomo-nos reencontrando. Fomos e viemos todos. Juntos. Menos um.
(…)
A guerra ficou para trás. Mas, um dia, saiu do baú das recordações e quis revelar-se desta forma (em cartas e aerogramas), para que ninguém a esqueça. Não serviu para nada, mas mudou o rumo de muita gente da minha geração.“
O Autor:
“ANTÓNIO CESÁRIO GUEDES DA COSTA (1945, Rechousa de Cima - Vila Nova de Gaia).
Poeta e escritor, publicou, em 2002, o seu primeiro livro, ‘MEMÓRIAS DA MEMÓRIA’.
Faz parte da Companhia Teatral de Ramalde, da Associação Geupo Dramático 26 de Janeiro.
Com outros companheiros, fundou, em 1965, o extinto Círculo Cultural Soares dos Reis, em Gaia, onde ‘partilhou poemas discussões sobre tudo de que julgavam saber imenso, e o nada de que afinal talvez soubessem alguma coisa’.“
Do ÍNDICE:
Dedicatória
INTRODUÇÃO
CARTAS DE UM SOLDADO À NAMORADA (Angola, 1967 - 1969)
1. - Cartas da Trafaria
2. - Cartas de Chaves
3. - O que não estava previsto
4. - Adeus, até ao meu regresso
5. - Angola
6. - No mato…
7. - Luanda
8. - De Luanda para Lisboa e de Lisboa para o Porto
9. - A guerra pode esperar, estou de férias !
10. - Novamente Angola
11. - Fazenda Maria José
12. - De férias no Lobito
13. - De regresso à Fazenda Maria José
EPÍLOGO
Preço: 47,50€;
















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