sábado, 11 de maio de 2019

Portugal & Guerra do Ultramar - ‘MORTO POR TE VER (Cartas de um soldado à namorada)’, de Cesário Costa - Porto 2007 - MUITO RARO;



















Portugal & Guerra do Ultramar - A comissão militar do autor através das cartas dirigidas à namorada no território da metrópole europeia 


‘MORTO POR TE VER’
Cartas de um soldado à namorada (Angola, 1967 - 1969) 
De Cesário Costa 
Edições Afrontamento 
Porto 2007 


Livro com 248 páginas, muito ilustrado e em muito bom estado de conservação. Novo. Excelente. 
De muito difícil localização. 
MUITO RARO. 


Da badana:
“Na Terceira gastei solas para ver e beber com os olhos tudo quanto podia. Mas não era ali que queria estar. Sentia-me como se estivesse de passagem numa cidade de Angola, ao encontro de novo Quartel, onde fosse terminar a Comissão. Eram meus amigos mas queria ir para casa (ou para o Quartel), para acabar com tudo o mais rápido possível. Ainda era deles. Os passos que dava eram também militares. Não sei o que estava a fazer naquelas ilhas. O clima não era Europeu nem Africano. A sensação, estranha e aflitiva. 
À excepção de alguns continentais que se cruzaram comigo numa ou noutra rua, ‘Cifra ! Ainda aqui andas ?’, não vi mais ninguém (apenas o Carmo, que veio ao meu encontro, na hora de partir para o Continente). E os outros ? Desapareceram, num ápice, sem se despedirem de ninguém sem que ninguém pudesse despedir-se deles. Para onde foram os 130 e tal homens que comigo estiveram em Angola e regressaram ? O único que veio mais cedo, numa caixa de pinho, morreu lá, como poderia ter morrido cá, de doença cancerígena. Desde o início, no M’Pozo, que se queixava  de fortes dores num joelho e não queria ir para o mato, em patrulhas. Até o apelidaram de ‘manhoso’, julgando que era tudo fita. Evacuaram-no para Luanda e amputaram-lhe a perna. Não sobreviveu. 
Nem os que eram dali, da ilha terceira, se vislumbravam. Não olharam para trás, fugiram antes que ouvissem algum ‘toque a reunir’ e tivessem que enfileirar novamente, para cumprir outra Comissão. Foi como se tivessem sumido. E o Povo não esteve a aplaudi-los na chegada. Cada um recolheu a casa, a tratar das feridas provocadas pela ausência e das cartas-de-chamada para ir trabalhar para as Américas. O inimigo estava mais camuflado nos gabinetes do que os ‘turras’ no mato. Não esperaram por louvores ou medalhas. Foram às suas vidas sem deixar rasto. Mais tarde, a pouco e pouco, fomo-nos reencontrando. Fomos e viemos todos. Juntos. Menos um. 
(…) 
A guerra ficou para trás. Mas, um dia, saiu do baú das recordações e quis revelar-se desta forma (em cartas e aerogramas), para que ninguém a esqueça. Não serviu para nada, mas mudou o rumo de muita gente da minha geração.“ 


O Autor: 
“ANTÓNIO CESÁRIO GUEDES DA COSTA (1945, Rechousa de Cima - Vila Nova de Gaia). 
Poeta e escritor, publicou, em 2002, o seu primeiro livro, ‘MEMÓRIAS DA MEMÓRIA’.
Faz parte da Companhia Teatral de Ramalde, da Associação Geupo Dramático 26 de Janeiro.
Com outros companheiros, fundou, em 1965, o extinto Círculo Cultural Soares dos Reis, em Gaia, onde ‘partilhou poemas discussões sobre tudo de que julgavam saber imenso, e o nada de que afinal talvez soubessem alguma coisa’.“ 



Do ÍNDICE: 

Dedicatória 

INTRODUÇÃO 

CARTAS DE UM SOLDADO À NAMORADA (Angola, 1967 - 1969) 
1. - Cartas da Trafaria 
2. - Cartas de Chaves 
3. - O que não estava previsto 
4. - Adeus, até ao meu regresso 
5. - Angola 
6. - No mato…
7. - Luanda 
8. - De Luanda para Lisboa e de Lisboa para o Porto 
9. - A guerra pode esperar, estou de férias ! 
10. - Novamente Angola 
11. - Fazenda Maria José 
12. - De férias no Lobito 
13. - De regresso à Fazenda Maria José 

EPÍLOGO 


Preço: 47,50€; 

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